A Luta Diária dos Imigrantes Africanos no Comércio Ambulante de São Paulo
Uma pesquisa que virou tese de doutorado realizada na FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP) trouxe à luz uma realidade que muitos desconhecem: a situação dos imigrantes africanos que trabalham como vendedores ambulantes no bairro do Brás, em São Paulo. O estudo, conduzido pelo sociólogo moçambicano Abobacar Mumade Ali, revela um cenário de profunda exclusão social e desafios imensos que esses trabalhadores enfrentam diariamente.
Desvendando a Realidade
O trabalho de Abobacar não se limitou apenas a números e estatísticas. Ele realizou entrevistas detalhadas com os vendedores, a grande maioria jovens do sexo masculino, oriundos de países como Senegal (43%) e Nigéria (14%). O que leva esses homens a deixar suas terras natais e se aventurar em uma cidade como São Paulo? A resposta é simples: a busca por melhores condições de vida e a esperança de enviar dinheiro para suas famílias que ficaram para trás. Contudo, ao chegarem, a realidade é bem diferente do que esperavam.