Suspeito de matar casal no DF fazia posts de ódio: “Não ficará um de direita de pé”

A investigação sobre o assassinato de um casal em um condomínio localizado na região de Ponte Alta, no Gama, no Distrito Federal, ganhou novos desdobramentos. Segundo informações apuradas, o principal suspeito do crime, Evandro Gabriel Ferreira, de 60 anos, já era conhecido entre os moradores por causa do comportamento considerado agressivo e das constantes ameaças feitas contra vizinhos.

De acordo com as informações que chegaram à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), Evandro participava dos grupos de WhatsApp do condomínio e costumava enviar mensagens com conteúdo ameaçador. Embora o teor dessas conversas ainda não tenha sido divulgado oficialmente, o material já faz parte da investigação conduzida pela 20ª Delegacia de Polícia, no Gama, responsável por esclarecer a motivação e toda a dinâmica do caso.

Além das mensagens enviadas aos moradores, o suspeito também mantinha uma postura polêmica nas redes sociais. Em diversas publicações, ele compartilhava mensagens de ódio e opiniões radicais. Em uma delas, chegou a escrever que, no Distrito Federal, “não ficará um de direita de pé”. Em outra postagem, afirmou que sua maior vontade era “mandar políticos e ex-políticos para o inferno”.

Parte dessas publicações foi feita justamente na quinta-feira, 16 de julho, mesma data em que o crime teria acontecido. Esse detalhe chamou a atenção dos investigadores e pode ajudar a reconstruir os acontecimentos que antecederam a tragédia.

Outro fato que também despertou curiosidade foi uma mensagem que Evandro deixava exposta em um dos vidros do próprio carro. O texto continha diversas críticas e frases de efeito contra pessoas e instituições. Entre elas, dizia ser contra “falsos defensores de mulheres e trabalhadores”, “ditadores”, “fascistas”, “nepotismo” e outros grupos que ele citava. A frase terminava com uma declaração atribuída a uma ex-companheira: “Sou gente!”.

Os corpos das vítimas foram encontrados na manhã da sexta-feira, no gramado da residência onde o casal morava. Segundo relatos de moradores, disparos de arma de fogo foram ouvidos ainda na tarde da quinta-feira, por volta das 15 horas. A partir desses depoimentos, as autoridades iniciaram uma força-tarefa para identificar o responsável pelos disparos.

As investigações apontam, de forma preliminar, que Evandro era vizinho do casal. A principal linha de investigação considera que o crime possa ter sido provocado por um desentendimento relacionado ao muro que separava os imóveis. Apesar dessa hipótese, a Polícia Civil segue reunindo provas antes de confirmar oficialmente a motivação.

As vítimas foram identificadas como Rayane e Leonardo. Ela trabalhava como coordenadora do Cadastro Único (CadÚnico) no município de Santo Antônio do Descoberto, em Goiás. Já Leonardo era coordenador de vendas da Brasal Refrigerantes. Os dois haviam se casado no ano passado e deixam uma filha pequena.

O atendimento inicial da ocorrência foi realizado por equipes do 9º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, com apoio da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros Militar e de equipes especializadas da Diretoria de Operações Especiais (DOE). Os trabalhos continuam para esclarecer todos os detalhes do caso.

Outro ponto que pesa contra o suspeito é seu histórico na Justiça. Conforme apurado, Evandro possui uma extensa ficha criminal com registros por homicídio, tentativa de homicídio, ameaça, porte ilegal de arma de fogo, violência doméstica e desacato.

Além dessas ocorrências, também há registros envolvendo resistência à prisão, desobediência, injúria, perturbação da tranquilidade, dano ao patrimônio e infrações relacionadas à Lei Maria da Penha.

Levantamentos apontam ainda que o empresário respondeu a 17 processos no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). Parte dessas ações acabou sendo arquivada, mas o histórico passou a ser analisado novamente durante a investigação do duplo homicídio.

A Polícia Civil continua ouvindo testemunhas, analisando documentos, mensagens e demais provas para esclarecer o caso. Até o momento, as autoridades trabalham para confirmar oficialmente todas as circunstâncias que levaram ao assassinato do casal e concluir o inquérito.



Recomendamos