O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, decidiu não disputar a Presidência da República nas eleições de 2026. A informação foi repassada ao Democracia Cristã (DC), partido ao qual ele se filiou em abril deste ano. A desistência acontece poucos dias antes do início das convenções partidárias, marcadas para começar em 20 de julho, período em que as legendas oficializam seus candidatos.
De acordo com informações divulgadas pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Joaquim Barbosa enviou uma mensagem diretamente ao presidente nacional do DC, João Caldas, comunicando que não seguiria com o projeto de concorrer ao Palácio do Planalto. Assim, chega ao fim uma articulação política que durou pouco mais de três meses e que gerou expectativa entre integrantes da legenda.
A principal razão para a desistência foi a falta de estrutura política considerada essencial pelo ex-ministro. Desde que entrou no partido, Barbosa defendia que uma candidatura presidencial só faria sentido caso o DC conseguisse ampliar sua força por meio de alianças com outras siglas e garantisse recursos suficientes para uma campanha nacional. Porém, essas negociações não avançaram como era esperado.
Sem apoio de partidos maiores e sem uma base financeira mais robusta, Joaquim Barbosa avaliou que seria muito difícil construir uma candidatura competitiva. Diante desse cenário, resolveu comunicar sua decisão antes mesmo do início oficial das convenções, evitando prolongar uma situação que, segundo pessoas próximas, já era vista como praticamente inviável.
Apesar disso, o presidente do Democracia Cristã apresentou uma versão diferente da história. Em entrevista ao SBT News, João Caldas afirmou que continua trabalhando para viabilizar a candidatura de Barbosa e declarou que não recebeu nenhuma comunicação oficial informando uma desistência definitiva.
Segundo Caldas, o ex-ministro sempre deixou claro que só aceitaria entrar de vez na disputa caso existisse uma estrutura adequada para a campanha. O dirigente reconheceu, no entanto, que o partido ainda não conseguiu reunir todas essas condições, mas disse que continua buscando alianças até o fim do prazo das convenções, previsto para 5 de agosto.
O presidente da legenda também questionou a falta de interesse de partidos maiores, como União Brasil, PP, Republicanos e MDB, em discutir uma possível coligação em torno do nome de Joaquim Barbosa. Até o momento, porém, nenhuma dessas siglas demonstrou publicamente intenção de apoiar esse projeto político.
As exigências feitas por Barbosa já eram conhecidas desde maio. Em entrevista concedida anteriormente, ele afirmou que precisava perceber uma boa receptividade por parte do eleitorado e, ao mesmo tempo, contar com alianças capazes de garantir tempo de televisão, recursos financeiros e uma estrutura mínima para disputar uma eleição presidencial.
Na prática, nada disso aconteceu. O Democracia Cristã permaneceu isolado, sem conseguir ampliar sua base política. Além disso, as pesquisas eleitorais também não animaram. Em levantamento divulgado pelo Datafolha no mês de junho, Joaquim Barbosa apareceu com apenas 1% das intenções de voto, resultado considerado muito abaixo do esperado pelo partido.
A chegada do ex-ministro ao DC também provocou problemas internos. O ex-deputado Aldo Rebelo, que já havia anunciado sua pré-candidatura à Presidência pela legenda, criticou a decisão da direção partidária e classificou a entrada de Barbosa como uma afronta. O impasse acabou resultando na expulsão de Rebelo, que recorreu à Justiça e conseguiu uma decisão liminar para retornar ao partido.
O episódio acabou expondo as dificuldades enfrentadas por legendas menores ao tentar lançar nomes de projeção nacional sem possuir uma estrutura política consolidada. Além da disputa interna, ficou evidente a dificuldade de atrair aliados e investimentos suficientes para uma campanha presidencial competitiva.
Com a saída de Joaquim Barbosa do cenário da disputa, o Democracia Cristã perde seu principal nome para a corrida ao Planalto. Embora o partido ainda fale em manter conversas até o encerramento das convenções, o cenário continua complicado. Enquanto isso, outras siglas já definiram seus rumos, como o PSD, que decidiu lançar Ronaldo Caiado como candidato à Presidência. O caso reforça uma realidade frequente na política brasileira: sem alianças amplas, recursos financeiros e uma estrutura partidária sólida, até nomes conhecidos nacionalmente encontram grandes obstáculos para transformar uma pré-candidatura em uma campanha de fato.