Após dias foragido, suspeito no ataque a tenente da Rota se entrega

A investigação sobre o atentado contra o tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos ganhou um novo desdobramento nesta semana. Mais um suspeito resolveu se apresentar à polícia e acabou tendo a prisão temporária decretada pela Justiça de São Paulo. O caso continua sendo tratado como uma das principais investigações conduzidas pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

O homem que se entregou foi Luis Altino da Silva, conhecido pelo apelido de Chuck, de 42 anos. De acordo com os investigadores, ele teria participado da ação de forma indireta, ajudando a esconder provas que poderiam ligar os autores do atentado ao crime. Assim que compareceu à 3ª Delegacia de Homicídios, ele informou aos policiais que decidiu se entregar porque estava com medo de ser morto. A declaração chamou atenção dos investigadores, que agora tentam esclarecer quem poderia representar essa ameaça.

Segundo as informações reunidas pela polícia, Chuck contratou Luiz Henrique de Oliveira Nascimento, de 34 anos, para desaparecer com a motocicleta usada pelos criminosos que atiraram contra o tenente. O combinado era que Luiz Henrique receberia R$ 500 pelo serviço, mas no fim acabou recebendo apenas R$ 100. A moto era considerada uma peça importante para a investigação, já que foi utilizada na fuga logo após os disparos.

Com a prisão de Chuck, já são quatro pessoas presas suspeitas de envolvimento no atentado. Antes dele, Luiz Henrique havia sido capturado no dia 7 de julho, durante uma operação realizada na comunidade de Heliópolis, na zona sul da capital paulista. A Polícia Civil segue procurando identificar outras pessoas que possam ter colaborado com a ação criminosa, seja no planejamento ou na fuga.

Enquanto a investigação avança, outro ponto que tem chamado atenção é o número de mortes registradas durante as buscas pelos envolvidos. Desde o ataque ao policial, sete homens morreram em ações realizadas por equipes da Rota em diferentes regiões do estado. Apesar das suspeitas levantadas inicialmente, até agora não existe confirmação oficial de que qualquer um deles realmente tenha participado do atentado contra o tenente.

Em quatro boletins de ocorrência analisados pela investigação, policiais militares afirmam que receberam denúncias indicando que alguns desses homens estariam ligados ao crime. Mesmo assim, as autoridades ainda não conseguiram apresentar provas concretas que estabeleçam essa ligação. O caso segue sendo apurado e nenhuma conclusão definitiva foi divulgada.

As primeiras mortes aconteceram em 29 de junho, apenas dois dias depois do atentado. Na Estrada do Aricanduva, na zona leste de São Paulo, um homem morreu após, segundo a versão da Polícia Militar, reagir à abordagem atirando contra a equipe. No mesmo dia, outro suspeito foi morto em Vila Galvão, em Guarulhos. Conforme o registro da ocorrência, ele teria feito menção de sacar uma arma durante a ação policial.

Dias depois, em 2 de julho, novas ocorrências foram registradas. Em Guaianases, um homem morreu após uma abordagem da PM que terminou em confronto. Já em Peruíbe, no litoral paulista, outro suspeito perdeu a vida depois de uma perseguição policial. Ainda na capital, outros dois homens morreram em operações realizadas no Jardim Miriam e no Jardim São Luís. Em ambos os casos, os policiais afirmaram ter sido recebidos a tiros. A sétima morte ocorreu na zona leste da cidade, no dia 10 de julho.

O atentado aconteceu na manhã de 27 de junho. Ronickson Pimentel dos Santos, de 39 anos, aguardava o sinal abrir em um semáforo da Avenida Goiás, em São Caetano do Sul, quando foi surpreendido por dois homens em outra motocicleta. Imagens de câmeras de segurança registraram toda a ação. O garupa apontou a arma para a cabeça do policial e efetuou um disparo à queima-roupa antes de fugir rapidamente com o comparsa.

As investigações indicam que o ataque foi planejado com antecedência. Outras gravações mostram que os suspeitos monitoraram a movimentação do tenente momentos antes da emboscada. Até agora, a polícia ainda não revelou qual teria sido a motivação do crime e afirma que todas as hipóteses permanecem em análise.

Ronickson Pimentel também ficou conhecido nacionalmente por ser irmão de Eloá Pimentel, jovem assassinada em 2008 após permanecer mais de 100 horas em cárcere privado pelo ex-namorado, em um dos casos criminais de maior repercussão da história recente do Brasil. Agora, quase duas décadas depois daquela tragédia, a família volta a enfrentar um episódio marcado pela violência, enquanto as autoridades trabalham para identificar todos os responsáveis pelo atentado contra o oficial da Rota.



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