Pânico, desespero e muita tensão nos bastidores do bolsonarismo. Nos últimos dias, aliados próximos de Jair Bolsonaro teriam começado a perceber um clima de “salve-se quem puder” dentro do grupo político ligado ao ex-presidente. Segundo informações que circulam entre parlamentares e pessoas próximas da família, Bolsonaro estaria tentando, de toda forma, manter viva a possível candidatura de Flávio Bolsonaro. O problema é que nem todo mundo ao redor parece disposto a embarcar nessa ideia sem questionar.
Nos corredores de Brasília o comentário já virou praticamente público: existe um medo enorme de que o movimento acabe perdendo força justamente no momento em que enfrenta uma das maiores crises desde que surgiu. E não é exagero dizer isso. Nem durante as investigações sobre a suposta tentativa de golpe, nem nas operações da Polícia Federal contra aliados do ex-presidente, o ambiente ficou tão pesado quanto agora.
O que mais chamou atenção foi a quantidade de figuras conhecidas do próprio bolsonarismo começando a se afastar. Gente que durante anos defendia Bolsonaro sem pensar duas vezes agora resolveu mudar o tom. Nomes como Rodrigo Constantino, Alexandre Garcia e Ana Paula do Vôlei passaram a criticar diretamente Flávio Bolsonaro, algo que até pouco tempo atrás parecia improvável.
E não para por aí. Até figuras historicamente alinhadas ao grupo, como Paulo Figueiredo e Jeffrey Chiquini, começaram a publicar textos e comentários considerados por muitos como uma espécie de “porta de saída” do bolsonarismo raiz. Isso acabou aumentando ainda mais a sensação de divisão interna.
Enquanto isso, quem aparentemente acompanha tudo de forma mais tranquila é Michelle Bolsonaro. Nos bastidores, aliados dizem que a ex-primeira-dama estaria cada vez mais confortável com a possibilidade de assumir um papel maior dentro da direita brasileira. Tem gente inclusive afirmando que Michelle já se vê como herdeira natural do movimento.
Esse cenário, claro, incomoda bastante os filhos de Bolsonaro. Nem Jair, nem Flávio, Eduardo ou Carlos demonstrariam confiança total numa eventual candidatura dela. O receio seria simples: caso Michelle realmente ganhe protagonismo, ela pode acabar ocupando o espaço político que hoje pertence à família Bolsonaro. E isso mudaria completamente o jogo dentro da direita.
Entre aliados mais próximos já existem dúvidas até sobre a força eleitoral de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro caso ele desista de uma disputa presidencial. Alguns avaliam que uma candidatura enfraquecida poderia prejudicar não apenas ele, mas toda estrutura política construída pela família ao longo dos últimos anos.
No caso de Carlos Bolsonaro, a situação também seria delicada. Há quem diga que o desgaste nacional do sobrenome Bolsonaro pode dificultar bastante futuras eleições, especialmente fora do eixo tradicional da família. Já Eduardo Bolsonaro aparece, segundo alguns analistas políticos, cada vez mais distante de uma posição de protagonismo.
E Jair Renan praticamente nem entra nas conversas. Dentro do próprio grupo político ele já não seria visto como alguém capaz de assumir liderança relevante.
Por isso, aliados mais fiéis acreditam que insistir em Flávio até o fim talvez seja a única saída para manter a família no centro da oposição. Mesmo que o caminho termine numa derrota pesada nas urnas. A lógica seria preservar ao menos um integrante da família como principal voz do movimento nos próximos anos.
Nos bastidores, muitos enxergam que o bolsonarismo atravessa hoje sua fase mais complicada. As disputas internas ficaram mais visíveis, antigos apoiadores estão se afastando e o clima de unidade parece ter diminuído bastante. Ainda assim, lideranças do grupo tentam demonstrar força publicamente, mesmo com a pressão aumentando dia após dia.