Vídeo: Lula volta ao tema da picanha e agora promete até alcatra e maminha

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a falar sobre um tema que já virou quase uma marca dos discursos dele desde a campanha de 2022: a famosa “picanha”. Durante a reabertura da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia, a Fafen-BA, realizada nesta quinta-feira (14), em Camaçari, Lula defendeu novamente que o brasileiro pobre tenha direito de consumir alimentos de qualidade e não apenas o que sobra nas feiras.

Na fala, o petista disse que nasceu para governar pensando nos mais humildes e destacou que pessoas pobres também querem viver bem, comer bem e ter acesso aos mesmos produtos que qualquer outra pessoa compra normalmente. Segundo ele, não é justo que parte da população precise esperar o fim da feira para levar pra casa frutas ou verduras machucadas, aquelas mais baratas da chamada “xepa”.

“O pobre gosta de coisa boa também”, resumiu Lula diante de trabalhadores, autoridades e aliados políticos que acompanhavam o evento na Bahia. Em outro momento do discurso, ele falou que o trabalhador quer chegar cedo na feira pra escolher os melhores alimentos, e não ficar apenas com o que sobrou depois do meio-dia.

A tradicional “picanha”, usada várias vezes por Lula durante a campanha presidencial, voltou a aparecer no discurso. O presidente afirmou que o brasileiro quer ter dinheiro suficiente pra comprar carne de qualidade e não apenas itens mais baratos.

— A gente não quer bofe, a gente quer filé. Quer picanha, alcatra, maminha. Quer comer coisa gostosa porque trabalha e merece — declarou o presidente, arrancando aplausos de parte do público presente.

Só que o discurso acontece justamente num momento em que o preço dos alimentos continua pesando no bolso da população. Nos últimos meses, produtos básicos tiveram aumentos bem fortes nos supermercados e nas feiras livres. Dados divulgados recentemente pelo IBGE mostram que vários legumes e verduras dispararam de preço.

O tomate, citado pelo próprio Lula na fala, acumulou alta superior a 50% nos últimos três meses. A cenoura ficou ainda pior e registrou aumento de quase 80%, assustando consumidores em várias regiões do país. Pepino, abobrinha, cebola e batata também ficaram mais caros, numa situação que muita gente percebe no dia a dia, principalmente quem faz compra toda semana.

Nas redes sociais, inclusive, muita gente comentou a fala do presidente comparando o discurso com a realidade atual dos preços. Alguns apoiadores disseram que Lula tenta defender o poder de compra do trabalhador, enquanto críticos afirmaram que os alimentos seguem caros mesmo com as promessas feitas durante a eleição.

Outro ponto que vem pressionando os preços é o custo do combustível. Especialistas explicam que o frete influencia diretamente no valor final dos alimentos vendidos em mercados e feiras. Com gasolina e diesel em alta em vários momentos do ano, o transporte acaba ficando mais caro e isso chega no consumidor.

Além disso, a tensão internacional envolvendo Estados Unidos e Irã também gera preocupação no mercado mundial. O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de petróleo do planeta, virou alvo de disputas e ameaças nos últimos meses. Como cerca de 20% do petróleo mundial passa pela região, qualquer conflito acaba mexendo no preço internacional dos combustíveis.

José Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, explicou que a combinação entre restrição na oferta de alguns alimentos e aumento dos custos logísticos ajuda a explicar a inflação dos produtos básicos. Segundo ele, quando o transporte sobe, praticamente toda cadeia acaba sendo afetada.

Mesmo com o cenário complicado, Lula reforçou no evento que o objetivo do governo continua sendo melhorar a vida da população mais pobre. O presidente afirmou que quer ver o brasileiro voltando a consumir carne, alimentos frescos e produtos considerados de “primeira linha”, algo que virou símbolo político do atual mandato.

Enquanto isso, na prática, o consumidor segue tentando equilibrar as contas no supermercado. Em muitas cidades do Brasil, inclusive, já virou comum encontrar pessoas reclamando dos preços altos nas feiras e reduzindo a quantidade de itens levados pra casa.



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