Juliana Garcia, vítima de espancamento com 60 socos, anuncia filiação ao PT

A história de Juliana Garcia dos Santos Soares voltou a ganhar repercussão nas redes sociais nos últimos dias. Conhecida nacionalmente depois de sobreviver a uma brutal agressão do ex-namorado, que desferiu 61 socos contra seu rosto dentro do elevador de um condomínio em Natal, no Rio Grande do Norte, ela agora decidiu entrar oficialmente para a política. Juliana se filiou ao Partido dos Trabalhadores, o PT, e compartilhou a novidade com seus seguidores na internet.

Na publicação feita no Instagram, ela apareceu fazendo o tradicional “L” com a mão, gesto associado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na legenda, escreveu apenas “TREZE!”, número histórico do partido nas urnas. A postagem rapidamente dividiu opiniões e acabou gerando milhares de comentários, tanto de apoio quanto de críticas.

Além da foto nas redes sociais, Juliana também posou ao lado da vereadora Samanda Alves, presidente estadual do PT no Rio Grande do Norte. A parlamentar aproveitou o momento para destacar a luta contra a violência sofrida por mulheres no Brasil, assunto que continua sendo debatido diariamente, principalmente após os altos números de feminicídio registrados no país nos últimos anos.

Segundo Samanda, a entrada de Juliana no partido carrega um significado importante por conta da história que ela viveu. Em publicação nas redes, a vereadora afirmou que a coragem da jovem transformou dor em luta coletiva e que defender a vida das mulheres precisa estar no centro da política brasileira. O discurso teve bastante repercussão entre apoiadores do partido.

De acordo com informações divulgadas pelo próprio PT, a filiação aconteceu antes do prazo final estabelecido pela Justiça Eleitoral, no começo de abril, mas só foi anunciada oficialmente agora. Neste domingo, Juliana voltou a chamar atenção ao mostrar nos stories do Instagram uma arte nas unhas fazendo referência ao novo partido.

Essa, no entanto, não é a primeira vez que o nome dela se envolve em discussões políticas. No ano passado, Juliana comemorou publicamente a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, do PL. Na época, ela recebeu uma enxurrada de críticas nas redes sociais e respondeu dizendo que jamais apoiaria alguém que, segundo ela, representa ideias machistas e misóginas.

Em uma sequência de vídeos publicados naquele período, Juliana também declarou que não possuía partido político, mas deixou claro que não aceitava discursos de ódio, preconceito ou ataques contra mulheres. As falas acabaram viralizando em páginas de política e entretenimento.

O caso envolvendo Juliana ficou conhecido em todo o Brasil após imagens da agressão circularem pela internet e causarem revolta nacional. O episódio aconteceu no dia 26 de julho do ano passado, dentro de um condomínio localizado no bairro de Ponta Negra, em Natal.

Segundo as investigações, o casal teria iniciado uma discussão na área de lazer do prédio por causa de ciúmes, após Juliana receber uma mensagem no celular. Durante a briga, Igor Cabral, então namorado dela, teria jogado o aparelho na piscina. Pouco tempo depois, já dentro do elevador, ele começou as agressões violentas.

As imagens das câmeras de segurança mostraram o momento em que Juliana foi atingida por dezenas de socos durante aproximadamente 36 segundos. O vídeo chocou o país inteiro e gerou forte mobilização nas redes sociais, inclusive entre famosos e políticos de diferentes partidos.

Um segurança do condomínio acionou a Polícia Militar, e Igor acabou preso em flagrante. Posteriormente, ele pediu para ficar em cela individual alegando medo de sofrer represálias de outros detentos, mas o pedido foi negado. Hoje, ele responde pelo crime de tentativa de feminicídio.

A violência deixou marcas profundas em Juliana. Ela sofreu diversas fraturas no rosto, incluindo mandíbula, nariz, maxilar e região do olho esquerdo. Precisou passar por cirurgia de reconstrução facial e enfrentou um longo processo de recuperação.

Mesmo depois de tudo, Juliana segue usando as redes sociais para falar sobre violência contra mulheres, autoestima e recomeço. Agora, com a entrada oficial na política partidária, o nome dela promete continuar em evidência nos próximos meses, principalmente em meio ao clima político cada vez mais quente no Brasil.



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