Caso Ypê vira alvo de disputa política e Padilha se pronuncia

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, resolveu falar publicamente nesta segunda-feira (11) depois que uma enorme confusão tomou conta das redes sociais envolvendo produtos da marca Ypê. Nos últimos dias, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro começaram a compartilhar vídeos dizendo que a decisão da Anvisa de recolher alguns lotes teria motivação política. O assunto viralizou rápido e dividiu opiniões na internet.

Segundo esses perfis, a suspensão dos produtos estaria ligada ao fato de donos da empresa terem feito doações para a campanha de Bolsonaro em 2022. A narrativa ganhou força principalmente entre militantes de direita, que acusaram o governo federal de perseguição política. Em grupos de WhatsApp e também no Instagram, muita gente passou a defender a marca e atacar a decisão da agência sanitária.

Durante uma coletiva de imprensa, Padilha afirmou que as informações espalhadas nas redes são “irresponsáveis” e colocam a saúde da população em risco. O ministro criticou diretamente os vídeos que tentam transformar uma questão técnica em uma guerra política. Segundo ele, a prioridade da Anvisa foi proteger consumidores após indícios considerados graves pelos órgãos de vigilância.

“Tivemos uma enxurrada de vídeos tentando confundir as pessoas”, declarou o ministro. Ele ainda comentou que parte da internet estaria ignorando o risco sanitário apenas para criar uma narrativa política em torno do caso. A fala repercutiu bastante ao longo do dia e gerou novos debates nas redes.

A medida tomada pela Anvisa atingiu lotes de detergentes, lava-roupas líquidos e também desinfetantes produzidos pela empresa Química Amapo, responsável por itens ligados à marca Ypê. De acordo com a agência, inspeções encontraram falhas em processos de controle de qualidade e também possível risco de contaminação microbiológica em produtos com numeração final 1.

O caso ficou ainda mais comentado depois que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou uma foto de um detergente da marca em seu Instagram no domingo (10). Na imagem, ela escreveu apenas: “Dia lindo”. Mesmo sendo uma frase curta, muita gente interpretou a postagem como uma demonstração pública de apoio à empresa em meio à polêmica.

Padilha também fez questão de lembrar que um dos diretores responsáveis pela área da Anvisa foi indicado ainda no governo Bolsonaro. Segundo o ministro, Daniel Meirelles ocupou cargos importantes na gestão passada antes de chegar à agência sanitária. A declaração foi usada para rebater acusações de perseguição política feitas por aliados do ex-presidente.

“O diretor responsável foi indicado durante o governo Bolsonaro e continua cumprindo seu papel técnico”, afirmou o ministro. Ele insistiu que a decisão não teve qualquer interferência ideológica e que os relatórios foram analisados por vários órgãos diferentes antes da suspensão dos lotes.

Ainda conforme Padilha, técnicos da própria empresa já haviam identificado anteriormente a presença de bactéria em um dos lotes produzidos no fim do ano passado. Para ele, esse tipo de situação exige atenção imediata, já que pode indicar problemas em alguma etapa da fabricação dos produtos.

O ministro aproveitou a coletiva para fazer um alerta sobre os perigos da desinformação. Segundo ele, estimular a população a ignorar avisos sanitários pode trazer consequências sérias. Padilha afirmou que detergentes e outros produtos químicos não podem ser tratados de forma irresponsável, principalmente quando existe suspeita de contaminação.

No encerramento da fala, o ministro ainda fez uma crítica indireta a setores que, segundo ele, espalharam fake news durante a pandemia da Covid-19. A declaração acabou aumentando ainda mais a tensão política em torno do caso, que já dominava as discussões nas redes sociais desde o fim de semana.



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