O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, embarcou na tarde desta quarta-feira, dia 6 de maio, rumo a Washington, nos Estados Unidos, para um encontro considerado delicado com o presidente americano Donald Trump. A viagem já vinha sendo comentada nos bastidores de Brasília desde o começo da semana, principalmente por causa das tensões comerciais envolvendo o sistema Pix, que acabou entrando na mira de autoridades norte-americanas.
A reunião entre Lula e Trump acontece nesta quinta-feira, 7 de maio, na Casa Branca. Segundo integrantes do governo brasileiro, a ideia é tentar evitar que a investigação aberta pelos EUA avance para possíveis sanções econômicas que poderiam atingir diretamente empresas brasileiras e até parte da população. O clima é de preocupação, mas ao mesmo tempo o Palácio do Planalto tenta passar uma imagem de confiança. Nos corredores de Brasília, gente próxima ao governo fala que Lula viajou com um “plano pronto” para convencer os americanos sobre o funcionamento do Pix.
Enquanto Lula está fora do país, quem assumiu a presidência de forma interina foi o vice-presidente Geraldo Alckmin, do PSB. Em entrevista à Globo News, Alckmin afirmou que a possibilidade de punições econômicas preocupa o Brasil e que o assunto será tratado como prioridade absoluta durante a visita oficial. Segundo ele, existe uma interpretação errada por parte dos americanos sobre o sistema brasileiro de pagamentos.
Nos últimos anos o Pix virou praticamente unanimidade entre os brasileiros. Hoje muita gente nem anda mais com dinheiro no bolso. Feira, mercado, camelô, aplicativo, tudo aceita Pix. E justamente por esse crescimento gigante é que o sistema passou a chamar atenção fora do Brasil também. O governo americano estaria investigando se o modelo brasileiro poderia gerar impactos em empresas privadas do setor financeiro internacional.
Alckmin disse ainda que a investigação “não faz muito sentido” e que o governo brasileiro pretende esclarecer todos os pontos diretamente com representantes dos Estados Unidos. Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, que acompanha Lula na viagem, falou que existe muito lobby de empresas interessadas em enfraquecer o Pix.
Durante participação no programa Bom Dia, Ministro, Durigan afirmou que os Estados Unidos possuem ferramentas parecidas com o sistema brasileiro e que o Pix é apenas uma infraestrutura pública de pagamento. Segundo ele, o objetivo agora é evitar desinformação e mostrar aos americanos como o modelo funciona na prática.
“Precisamos afastar algum lobby indevido em relação ao Pix”, declarou o ministro, em uma fala que rapidamente repercutiu nas redes sociais e também nos bastidores políticos.
A comitiva presidencial levada por Lula inclui nomes importantes do governo federal. Entre eles estão o chanceler Mauro Vieira, além dos ministros Wellington César Lima e Silva, Márcio Elias Rosa e Alexandre Silveira. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos, também acompanha a viagem oficial.
Nos bastidores em Brasília existe a avaliação de que esse encontro pode acabar sendo um dos mais importantes do ano para o governo Lula, principalmente em um momento em que a economia brasileira ainda tenta se recuperar totalmente e o cenário político segue bastante polarizado. Nas redes sociais, apoiadores e críticos do governo passaram o dia debatendo a viagem presidencial, com hashtags ligadas ao Pix ficando entre os assuntos mais comentados.
Agora resta saber se a conversa entre Lula e Trump vai realmente diminuir a tensão comercial ou se novos capítulos dessa disputa ainda estão por vir. O governo brasileiro tenta evitar desgaste internacional, enquanto parte do mercado acompanha tudo com atenção.