Lima Duarte gera revolta em discurso: ‘Não fui porque só tinha preta’

O ator Lima Duarte acabou se envolvendo numa baita polêmica depois de um discurso feito durante a cerimônia da Associação Paulista de Críticos da Arte, realizada na noite da última segunda-feira (4). O assunto até poderia ter passado meio despercebido, mas não foi o que aconteceu… Na terça (5), o vídeo começou a circular nas redes sociais e, como já virou rotina hoje em dia, ganhou uma proporção enorme em poucas horas.

Na ocasião, Lima estava sendo homenageado com um prêmio especial pela sua longa trajetória na televisão brasileira — afinal, são décadas de carreira, novelas marcantes e um nome que praticamente atravessa gerações. Só que, no meio do discurso, ele resolveu relembrar uma história da juventude. E foi aí que o clima começou a ficar estranho.

Ele contou que, quando tinha cerca de 15 anos, ainda vivendo uma realidade bem difícil, foi convidado por um conhecido para ir até uma zona de prostituição. Até aí, parecia só mais um relato de juventude… mas o problema veio na sequência. Segundo o ator, ele recusou o convite ao descobrir que no local “só tinha preta”. A fala pegou mal, e rápido.

No discurso, ele chegou a dizer algo mais ou menos assim: que um rapaz o chamou pra ir na tal zona, sugeriu um lugar chamado Itaboca, e ouviu como resposta que lá “só tinha preta”. Aí, ele decidiu não ir. Comentou ainda que era “moleque de rua”, que dormia embaixo de caminhão, e acabou indo para outro lugar depois. Um relato que, na cabeça dele talvez fosse apenas uma lembrança antiga, mas que hoje, em outro contexto, soou bem problemático.

E não demorou nada pra repercussão vir. Muita gente nas redes sociais criticou a fala, apontando o tom racista e questionando como um discurso desses ainda aparece, ainda mais num evento cultural tão importante. Em tempos onde debates sobre racismo estrutural estão cada vez mais presentes — basta ver discussões recentes no Brasil e até fora, como nos movimentos que seguem repercutindo desde o Black Lives Matter — esse tipo de declaração acaba sendo ainda mais sensível.

Durante o mesmo evento, outras artistas também foram premiadas, como Carmen Luz, Shirley Cruz e Grace Passô. E, de certa forma, elas não deixaram o momento passar em branco. Sem citar diretamente Lima Duarte, houve uma resposta firme no palco.

Carmen Luz, por exemplo, fez um discurso que chamou bastante atenção. Em tom forte, mas também de afirmação, declarou: “Mulheres pretas, levantai-vos, celebramos as nossas presenças”. Foi uma fala que muitos interpretaram como uma resposta direta ao comentário anterior, trazendo um contraponto necessário naquele momento.

O contraste entre os discursos ficou evidente. De um lado, uma fala considerada ultrapassada, que gerou desconforto. Do outro, uma afirmação de identidade, resistência e valorização. E isso, claro, acabou ampliando ainda mais o debate nas redes.

Tem quem defenda que Lima Duarte apenas contou uma história de outra época, sem intenção de ofender. Mas também tem muita gente dizendo que justamente por isso é importante refletir — porque certas falas, mesmo antigas, carregam um peso que não dá mais pra ignorar hoje em dia.

No fim das contas, o episódio virou mais um daqueles casos que mostram como o passado e o presente entram em choque o tempo todo. E como figuras públicas, principalmente com tanta visibilidade, acabam sendo cobradas por aquilo que dizem — seja num palco, numa entrevista ou até numa simples lembrança.



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