O que era pra ser mais um dia comum terminou em tragédia, daquelas que deixam a gente meio sem entender nada. O pastor Rick Andrade da Silva, de 39 anos, bastante conhecido por pregar em comunidades de Salvador, foi morto a tiros na última quarta-feira (29). A notícia correu rápido, principalmente entre quem já acompanhava ele nas redes sociais — eram mais de 14 mil seguidores, gente que via nele uma voz ativa, firme, até polêmica em alguns momentos.
Rick não era daqueles pastores que ficavam só dentro de igreja, não. Ele tinha uma pegada mais direta com o povo, ia pra comunidade, conversava, gravava vídeos, dava opinião. Já fazia 23 anos que ele seguia nessa caminhada religiosa, marca que ele mesmo comemorou em fevereiro desse ano. Só que a vida dele não girava só em torno disso. Pra se manter, trabalhava como vigilante em uma loja de motos na capital baiana.
E foi justamente indo trabalhar que tudo aconteceu. Segundo relatos, ele tava chegando pro que seria mais um expediente normal — ironicamente, o texto original até menciona “último dia de trabalho”, o que soa meio confuso, mas o fato é que ele foi surpreendido ali mesmo, sem chance de reação. Foi atingido por disparos e morreu no local.
O dono da loja, bastante abalado, disse que Rick era um cara tranquilo, sem confusão com ninguém. Colegas de trabalho, inclusive, já estavam organizando uma espécie de confraternização, uma despedida, o que deixa tudo ainda mais estranho e pesado. Tipo… não bate com a ideia de alguém envolvido em problemas, sabe?
Mas aí entra um ponto que chamou atenção depois que o caso ganhou repercussão. Cerca de duas semanas antes do crime, Rick tinha publicado um vídeo bem forte, daqueles que viralizam fácil. Nele, afirmava que Jesus Cristo era maior do que qualquer facção criminosa ou liderança do tráfico. Foi direto, sem rodeio.
Em outra postagem, ele reforçou a fé, dizendo que tanto a vida quanto a morte estão nas mãos de Deus. Uma fala comum no meio religioso, mas que, no contexto atual, ganhou um peso diferente.
Teve até interação com seguidores que hoje tá sendo relembrada. Em uma caixinha de perguntas, alguém comentou algo meio pesado, dizendo que ele só não tinha sido morto ainda porque era ungido. A mensagem foi bem explícita, quase uma ameaça velada:
— Se não fosse Deus, ia tomar só de oitão na cara, mas você é ungido. Ore pela favela.
Rick respondeu publicamente, em vídeo. E o que chamou atenção foi a tranquilidade dele. Não demonstrou medo, nem preocupação.
— A vida e a morte estão nas mãos de Jesus. Até o demônio, pra fazer algo, tem que pedir permissão. Eu acredito no poder de Deus — disse ele, com convicção.
Depois do crime, policiais militares isolaram a área, como de costume. O Departamento de Polícia Técnica fez a perícia ali mesmo, poucas horas depois. Um detalhe importante: nada da vítima foi levado. Ou seja, a hipótese de latrocínio (roubo seguido de morte) acabou sendo descartada logo no início das investigações.
O caso agora está com o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, o DHPP, que tenta entender o que de fato motivou o assassinato. Até o momento, ninguém foi preso. Nenhum suspeito confirmado.
E fica aquele sentimento estranho no ar. Porque, por um lado, tem a imagem de um homem de fé, trabalhador, sem histórico de briga. Por outro, declarações fortes, posicionamentos públicos e uma realidade dura, principalmente em algumas regiões de Salvador onde o crime organizado ainda tem muita influência.
Não dá pra afirmar ligação direta, claro. A investigação ainda tá em andamento. Mas é inevitável que as pessoas comecem a ligar os pontos, criar teorias, questionar.
No fim das contas, fica mais uma história interrompida de forma brutal. E mais uma família, amigos e seguidores tentando entender o porquê de tudo isso.