Quaest: Em cenário favorável, Tarcísio humilha Fernando Haddad

Um novo levantamento divulgado nesta quarta-feira (29) pela Genial/Quaest trouxe um retrato interessante — e até meio previsível — do cenário eleitoral em São Paulo. O atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aparece na frente em praticamente todos os cenários testados, tanto no primeiro turno quanto numa eventual disputa direta no segundo turno. Mas, como sempre acontece nesse tipo de pesquisa, os números contam só uma parte da história.

Na chamada pesquisa espontânea, que é quando o eleitor fala o nome que vem à cabeça sem receber opções, Tarcísio apareceu com 14% das menções. Já o ex-ministro Fernando Haddad (PT) ficou bem atrás, com apenas 4%. Outros nomes que até circulam no debate político, como Kim Kataguiri (Missão) e Paulo Serra (PSDB), simplesmente não pontuaram nesse formato. E aqui entra um dado curioso: a grande maioria, 81%, disse ainda não saber em quem votar. Ou seja, apesar da liderança, o jogo ainda está bem aberto, pelo menos no papel.

Quando a pesquisa passa para o modelo estimulado — aquele em que os nomes são apresentados ao entrevistado — os números mudam um pouco, como era de se esperar. Num cenário com Paulo Serra incluído, Tarcísio chega a 38%, enquanto Haddad aparece com 26%. Kataguiri e Serra empatam com 5% cada. Ainda assim, há um bloco considerável de eleitores indecisos (13%) e outros 13% que dizem que pretendem votar branco ou nulo. Não é pouca coisa.

Sem o nome do tucano na disputa, Tarcísio sobe para 40%, Haddad vai para 28% e Kataguiri permanece com 5%. Nesse recorte, 14% afirmam que votariam branco ou nulo, e 13% continuam indecisos. Dá pra perceber que existe uma certa estabilidade nos números, mas também um espaço relevante pra mudanças, principalmente dependendo de alianças ou movimentações mais pra frente.

Agora, quando o assunto é segundo turno, a vantagem do atual governador fica ainda mais evidente. Na simulação direta contra Haddad, Tarcísio teria 49% dos votos, contra 32% do adversário. Ainda assim, 8% não sabem e 11% falam em branco ou nulo — aquele velho indicativo de que o eleitor brasileiro anda meio cansado ou desconfiado, algo que se viu muito também nas últimas eleições nacionais.

E não foi só o governo estadual que entrou no radar da pesquisa. O levantamento também tentou medir o humor do eleitorado para o Senado, já que duas vagas estarão em jogo. Nesse ponto, os resultados mostram um cenário mais embolado e até com uma leve vantagem para nomes ligados ao centro e à esquerda.

Simone Tebet (MDB) aparece bem posicionada, com 14% em um dos cenários, seguida de perto por Márcio França (PSB), com 12%. Já Guilherme Derrite (PP) surge com 8%, número que, dependendo da margem de erro, o coloca tecnicamente próximo de Tebet. Ricardo Salles (Novo) tem 6%, enquanto André do Prado (PL) aparece com 5% e José Aníbal (PSDB), com 4%.

Em outro cenário, sem Márcio França e com a entrada de Marina Silva, Tebet mantém seus 14%, enquanto Marina registra 12%. Derrite continua com 8%, e tanto Salles quanto Prado aparecem com 6%. Aníbal segue com 4%. Aqui chama atenção o número de indecisos: 22%. Já os votos brancos ou nulos chegam a 28%, o que é bem alto.

Teve até uma simulação curiosa com o nome de Pablo Marçal, mesmo ele estando inelegível. Nesse caso, ele aparece com 11% das intenções, empatando tecnicamente com nomes mais tradicionais da política. Tebet lidera com 15%, seguida de França com 12%. Esse tipo de cenário, mesmo hipotético, mostra como figuras fora da política tradicional ainda conseguem atrair atenção.

Por fim, vale lembrar que a pesquisa ouviu 1.650 eleitores entre os dias 23 e 27 de abril. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no TSE sob o código SP-03583/2026.

Resumindo… o cenário ainda está longe de definido, apesar da vantagem clara de Tarcísio. Tem muita água pra rolar até a eleição, e quem acompanha política sabe: pesquisa é retrato do momento, não previsão do futuro.



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