O clima esquentou — e não foi pouco — depois de uma entrevista que deu o que falar nesta quarta-feira (22). Durante participação no programa JR Entrevista, da Record TV, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, acabou entrando em um terreno meio delicado ao comentar sobre o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema. E olha… a fala pegou mal pra muita gente.
Na conversa, que era pra tratar de assuntos mais institucionais, acabou descambando pra um tom meio irônico. Gilmar, ao comentar sobre as críticas que vem recebendo de Zema, soltou uma frase que rapidamente viralizou nas redes sociais. Segundo ele, o ex-governador “fala um dialeto próximo do português”, e que, muitas vezes, não dá pra entender o que ele diz. Em tom de deboche (ou pelo menos foi assim que muita gente interpretou), o ministro ainda comparou o jeito de falar de Zema com uma língua estrangeira, citando até o tétum, idioma falado no Timor Leste.
A declaração caiu como uma bomba. Principalmente porque não ficou só na brincadeira. Gilmar Mendes também comentou sobre os ataques que Zema vem fazendo ao que chamou de “intocáveis” da Suprema Corte. Essas críticas, aliás, já tinham incomodado bastante nos bastidores de Brasília. Tanto que o ministro sugeriu que as falas do ex-governador fossem analisadas dentro do inquérito das fake news — aquele mesmo que vem sendo conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes.
Segundo Gilmar, tudo que for “inteligível” nas falas de Zema deveria ser avaliado pela Procuradoria-Geral da República, pela Polícia Federal e também por Moraes. A fala soou como um recado direto, meio atravessado, e aumentou ainda mais a tensão entre o político mineiro e membros do STF.
E claro… não demorou muito pro outro lado responder.
Romeu Zema, que vem se colocando como pré-candidato à Presidência e tentando ganhar espaço no cenário nacional, não deixou barato. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele rebateu o ministro — e fez questão de inverter a crítica.
Com um discurso mais popular, Zema afirmou que fala como “brasileiros simples”, e que isso é bem diferente do que chamou de “português esnobe dos intocáveis de Brasília”. A fala foi claramente direcionada não só a Gilmar, mas ao próprio ambiente político da capital federal, que muita gente já vê como distante da realidade do cidadão comum.
Mas ele não parou por aí.
Zema seguiu num tom mais duro, dizendo que o problema não é o ministro não entender suas palavras. Segundo ele, a questão maior seria o povo brasileiro não entender as atitudes de certos membros do Supremo. Ele citou, inclusive, o que considera um uso exagerado de autoridade para censurar críticas — uma referência direta às decisões recentes envolvendo liberdade de expressão e redes sociais.
Na sequência, o ex-governador ainda fez um discurso mais amplo, falando sobre valores e limites. Disse que alguns ministros teriam perdido a noção da diferença entre o público e o privado, entre o certo e o errado, o bem e o mal. Uma fala forte, que claramente mira no sentimento de parte da população que já demonstra desconfiança em relação às instituições.
O episódio acabou ganhando grande repercussão, principalmente nas redes sociais, onde o assunto rapidamente virou debate. Teve gente defendendo o ministro, dizendo que foi apenas uma ironia, enquanto outros consideraram a fala desrespeitosa e até preconceituosa.
No meio disso tudo, fica evidente que o embate entre figuras políticas e o Judiciário continua longe de esfriar. Pelo contrário, parece que cada nova declaração joga mais lenha na fogueira.
E, sinceramente, esse tipo de troca de farpas só mostra o quanto o cenário político brasileiro segue polarizado… e meio imprevisível também.
Confira: