Um preso morre a cada 19 horas no sistema prisional de SP, diz relatório

Mortes no Sistema Prisional de São Paulo: Uma Realidade Alarmante

Um recente relatório trouxe à tona dados preocupantes sobre a saúde nos presídios do estado de São Paulo. De acordo com o documento, um encarcerado morre a cada 19 horas, uma estatística que evidencia a crise enfrentada no sistema penitenciário. Os números, coletados entre 2015 e 2023, revelam as dificuldades na prestação de serviços de saúde para os detentos, destacando a urgência de um olhar mais atento para essa questão.

Contexto da Divulgação do Relatório

O relatório foi divulgado no dia 22 de março pelo Condepe, que é o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos da Pessoa Humana de São Paulo. Essa apresentação ocorreu após uma audiência pública que envolveu a sociedade civil, incluindo o NESC, o Copen, a OAB e o Conselho da Comunidade da Comarca de São Paulo. Essa reunião teve como objetivo discutir a grave situação do sistema prisional e coletar relatos de diferentes setores da sociedade.

Dados Alarmantes

O documento apontou que, em média, 465 mortes ocorrem anualmente dentro das prisões do estado. Somente na capital paulista, entre 2021 e 2023, foram registradas 84 mortes nas dez unidades prisionais que forneceram dados. A CNN Brasil tentou obter esclarecimentos da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) sobre essas informações, mas, até o momento, não obteve resposta.

Acesso à Saúde Pública no Sistema Prisional

Segundo o relatório, a alta taxa de mortalidade entre os detentos está relacionada à fragilidade da estrutura de saúde, especialmente no que diz respeito ao acesso ao atendimento público. O estado conta com 180 unidades prisionais que abrigam quase 227 mil pessoas. Desses, pouco mais da metade está vinculada ao Sistema Único de Saúde (SUS), que é o serviço de referência em saúde pública no Brasil. Aqueles que têm acesso ao SUS recebem acompanhamento regular, conforme as diretrizes da política de atenção básica.

No entanto, o problema se agrava nas 78 instituições que não têm apoio do SUS, onde os cuidados são prestados por profissionais da própria SAP, que não estão disponíveis de forma contínua. Um dado alarmante mencionado no relatório é que cerca de 25% dos atendimentos médicos que precisam ser realizados fora das unidades prisionais não ocorrem devido à falta de escolta para levar os presos às unidades de saúde. Esse fator expõe ainda mais a fragilidade do sistema, que não consegue garantir o direito à saúde dos detentos.

Desafios do Sistema Prisional

Os dados foram coletados durante a audiência pública chamada “Sistema Prisional do Estado de São Paulo: Desafios, Direitos e Perspectivas”, realizada no dia 9 de março. Durante essa sessão, foram ouvidos relatos e denúncias de familiares de pessoas em privação de liberdade e de pesquisadores da área. Embora a SAP tenha sido convocada para participar do debate, nenhum representante compareceu, o que gerou críticas e frustração entre os participantes.

O presidente do Condepe, Adilson Raimundo Sousa Santiago, enfatizou a importância da audiência como um espaço para promover o diálogo entre as instituições e a sociedade. A pesquisa realizada por Rosângela Teixeira Gonçalves e Camila Maranhão, do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP), destacou a gravidade dos problemas enfrentados no sistema prisional e a necessidade urgente de ações efetivas para garantir os direitos humanos dos detentos.

Considerações Finais

A situação no sistema prisional paulista é alarmante e requer uma resposta imediata. As mortes constantes e a precariedade na assistência à saúde dos detentos são questões que não podem ser ignoradas. É fundamental que haja uma mobilização por parte da sociedade civil e das autoridades competentes para que medidas sejam tomadas a fim de melhorar as condições de vida e saúde dos encarcerados. Afinal, a dignidade humana deve ser um direito garantido a todos, independentemente de sua situação.



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