Durante a abertura do estande brasileiro na tradicional Feira Industrial de Hannover, que rolou nesta segunda-feira (20), o presidente Lula fez um discurso daqueles que mistura orgulho, ambição e um certo tom de desabafo. Ele deixou bem claro que o Brasil não quer mais ocupar aquele velho papel de país “em desenvolvimento” que nunca chega lá. Segundo ele, essa fase já deu.
Logo no começo, Lula puxou um discurso mais emocional, quase como se estivesse falando direto com o povo. Disse que o Brasil cansou de ser visto como pequeno, como irrelevante no cenário global. E, sinceramente, não é a primeira vez que ele bate nessa tecla. Em tempos recentes, principalmente com as tensões econômicas mundiais e debates sobre protagonismo internacional, esse tipo de fala acaba ganhando mais peso.
“Estamos falando de um país que não aceita mais ser invisível”, afirmou ele, destacando que o Brasil tem mais de 215 milhões de habitantes — um número que por si só já impõe respeito — além de uma economia que, apesar dos tropeços aqui e ali, ainda se mantém estável dentro do possível. Ele também mencionou a tal da credibilidade internacional, algo que, segundo ele, foi conquistado ao longo dos últimos anos, embora muita gente ainda discuta isso nos bastidores.
O evento em Hannover, que é uma das maiores vitrines industriais do mundo (e não é pouca coisa), serviu como palco pra mostrar que o Brasil não tá só assistindo de longe. Lula destacou que a ideia de participar da feira não é só “marcar presença”, mas sim aprender. Segundo ele, o país quer entender melhor as inovações da indústria global, especialmente o avanço tecnológico alemão, que é referência em várias áreas.
Mas não ficou só nisso. O presidente também aproveitou pra dar aquela valorizada no que é nosso. Citou empresas como a Petrobras e a Embraer — essa última, inclusive, sendo a terceira maior fabricante de aviões do mundo, o que muita gente nem sabe direito. Ele falou com certo orgulho, como quem tenta provar que o Brasil já tem sim capacidade de competir de igual pra igual, só precisa parar de se enxergar como menor.
Em outro momento do discurso, Lula tocou num tema que sempre gera debate: imigração. Disse que o Brasil continua sendo um país de portas abertas, principalmente pra quem acredita em multilateralismo e paz. Foi uma fala mais diplomática, mas que também conversa com o cenário atual, onde vários países estão fechando fronteiras e endurecendo políticas.
Ele reforçou que o Brasil tem muito a oferecer, não só em termos de mercado, mas também em conhecimento. Falou de parcerias entre universidades, troca de experiências científicas, desenvolvimento tecnológico… tudo isso num tom meio otimista, talvez até otimista demais pra alguns críticos, mas ainda assim coerente com a proposta do evento.
No fim das contas, o discurso teve um pouco de tudo: crítica ao passado, esperança no futuro e aquela tentativa de reposicionar o Brasil no mapa global. Se vai funcionar? Difícil dizer agora. Mas uma coisa é certa, o recado foi dado — e não foi exatamente sutil.
E assim, entre aplausos e olhares atentos de empresários e autoridades, o Brasil tentou mais uma vez mostrar que não quer só participar do jogo… quer ser protagonista, mesmo que ainda esteja ajustando algumas peças no tabuleiro.