Cerca de 20 dias depois de passar para o regime de prisão domiciliar, o ex-presidente Jair Bolsonaro começou a apresentar sinais de melhora no quadro de saúde. Segundo boletins médicos enviados ao Supremo Tribunal Federal nesta sexta-feira (17/4), o cenário geral evoluiu, principalmente nas questões pulmonares e digestivas. Além disso, ele também tem reclamado menos de cansaço — o que, convenhamos, já era uma das maiores queixas desde o início dessa fase mais delicada.
Bolsonaro foi liberado para cumprir a domiciliar justamente por conta de uma pneumonia, que exigia cuidados mais específicos e um ambiente controlado. De acordo com o cardiologista responsável, Brasil Ramos Caiado, a recuperação do pulmão esquerdo vem acontecendo de forma lenta, mas constante. Ele chegou a destacar uma “melhora discreta e progressiva”, algo que, na linguagem médica, significa que ainda não está 100%, mas está no caminho certo.
Na semana passada, o mesmo médico tinha apontado uma redução significativa dos chamados “murmúrios vesiculares” — basicamente os sons normais da respiração — o que indicava um comprometimento maior naquele momento. Agora, pelo visto, a situação já dá sinais de alívio. Não é aquela recuperação de filme, rápida e milagrosa, mas é evolução, e isso já conta muito.
Outro ponto que chamou atenção foi a melhora na parte digestiva. Antes, quando ainda estava na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, Bolsonaro reclamava bastante de refluxo. Era algo recorrente, incômodo mesmo. Agora, segundo os médicos, esse problema diminuiu. Parte disso tem relação direta com a dieta rigorosa que ele está seguindo: pouca gordura, pouco sal e praticamente nada de alimentos ácidos. Não é exatamente uma alimentação prazerosa, mas é o tipo de coisa que ajuda — e muito — na recuperação.
Também houve redução nas queixas de cansaço. De acordo com o relatório, Bolsonaro demonstra mais disposição para atividades simples do dia a dia. Nada de exagero, claro, mas já consegue manter uma rotina mais estável. Inclusive, os médicos reduziram a quantidade de alguns medicamentos, principalmente os usados em crises, o que acabou ajudando até na questão do equilíbrio, que antes vinha sendo afetado.
Com essa melhora geral, surgiu a possibilidade de realizar uma cirurgia no ombro direito — algo que já estava previsto desde antes da saída do hospital DF Star. O ortopedista Alexandre Paniago avaliou que Bolsonaro está apto para passar por uma artroscopia, procedimento indicado para tratar lesões no chamado manguito rotador. Em termos mais simples, é uma cirurgia para corrigir danos nos tendões do ombro.
Apesar de uma leve melhora nas dores, o problema ainda incomoda bastante, principalmente à noite. Movimentos específicos continuam causando dor, o que exige o uso diário de analgésicos. E tem um detalhe curioso: Bolsonaro segue resistente à fisioterapia. Segundo relatos, ele não tem respondido tão bem às sessões, e até precisou interromper um atendimento recente por conta de aumento de dor e tensão na região das costas.
O fisioterapeuta responsável chegou a aplicar diferentes técnicas para aliviar o quadro, incluindo liberação miofascial, acupuntura e até laserterapia. É um combo completo, daqueles que misturam métodos tradicionais e alternativos. Ainda assim, o progresso nessa parte parece mais lento.
Agora, o estado de saúde do ex-presidente será reavaliado ao final dos 90 dias de prisão domiciliar. Esse prazo foi definido justamente com base no tempo médio de recuperação de uma broncopneumonia, especialmente em pessoas mais velhas, onde o sistema imunológico costuma responder de forma mais lenta. Dependendo da evolução, pode haver necessidade de uma nova perícia médica antes de qualquer decisão sobre prorrogação.
A ideia, segundo o ministro Alexandre de Moraes, é garantir um ambiente controlado para evitar complicações, como infecções mais graves. Durante esse período, Bolsonaro deve manter repouso, alimentação adequada e até cuidados específicos na hora de comer — evitando alimentos que possam causar engasgos ou irritações.
No fim das contas, o quadro é de melhora, mas ainda exige atenção. Não é hora de relaxar totalmente. É aquele tipo de recuperação que precisa ser levada com calma, sem pressa — mesmo que, às vezes, isso vá contra a vontade do próprio paciente.