Caso Thawanna: Companheiro de jovem morta por PM se pronuncia e surpreende a todos

A história de Luciano Gonçalves dos Santos e Thawanna da Silva Solmázio era daquelas simples, mas cheia de planos. Os dois estavam juntos há cerca de três anos e, segundo ele mesmo contou, já pensavam em dar um passo a mais: o casamento. Faltava só resolver uma coisa burocrática — a segunda via da certidão de nascimento dela — pra oficializar tudo. Coisa comum, né? Daquelas dificuldades do dia a dia que muita gente enfrenta.

Na madrugada do dia 3 de abril, em Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo, o casal saiu pra comemorar. Não era qualquer data. Eles tinham feito três anos de relacionamento no dia 31 de março e o aniversário dela tava chegando, seria no dia 8. Então resolveram sair, conversar, fazer planos… viver aquele momento. Luciano até falou que era uma noite especial, um momento feliz deles dois. E era mesmo.

Eles levavam uma vida simples. Ele, servente de pedreiro. Ela, ajudante-geral. Gente trabalhadora, que corre atrás. Mesmo com pouco dinheiro, estavam juntando aos poucos cerca de R$ 500 pra fazer uma pequena viagem, tipo um bate e volta na Praia Grande. Nada luxuoso, mas cheio de significado. Um descanso, um respiro.

Mas tudo mudou de forma brutal.

Durante essa madrugada, Thawanna acabou sendo baleada no peito por uma policial militar, identificada como Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos. Segundo a versão da policial, ela teria reagido depois de levar um tapa no rosto. Já Luciano conta outra história, bem diferente, inclusive.

Ele diz que a viatura passou rápido pela rua e quase atingiu os dois, chegando a bater o retrovisor no braço dele. Isso teria gerado uma reação, um susto, palavras de insatisfação… coisa de momento. A partir daí, a situação teria escalado muito rápido. Segundo ele, não houve abordagem clara, e a policial já desceu atirando.

No começo, Luciano achou que o disparo fosse de bala de borracha ou algo não letal. Ele até tentou colaborar, disse que colocou os objetos no chão pra mostrar que não oferecia perigo. Mesmo assim, afirma que os policiais usaram spray de pimenta.

Já a versão da PM é outra. Ela diz que o casal estava discutindo no meio da rua, aparentando embriaguez. Segundo o relato, Luciano teria esbarrado no carro e depois agido de forma agressiva, precisando ser contido. Enquanto isso, Thawanna teria apontado o dedo e agredido a policial, o que teria motivado o disparo.

O caso tá sendo investigado, e há muitas contradições ainda.

Um ponto que chamou atenção foi o fato da policial estar em período de estágio. Ela tinha entrado na corporação há pouco mais de um ano e ainda não usava câmera corporal — o que, nesse caso, faria muita diferença pra esclarecer o que realmente aconteceu. Depois do ocorrido, ela foi afastada.

Outro detalhe pesado: Thawanna ficou cerca de 30 minutos no chão esperando socorro. Mesmo com um hospital relativamente próximo, o atendimento demorou. Isso gerou ainda mais revolta.

Ela deixou cinco filhos.

Luciano, visivelmente abalado, disse que tá com o coração destruído. Em uma fala simples, mas forte, resumiu o sentimento: disse que “roubaram” a vida deles, que a companheira foi arrancada dos braços dele. É o tipo de frase que nem precisa de muito detalhe pra entender o tamanho da dor.

Ele também prestou depoimento no DHPP, acompanhado de advogado, pastor e testemunhas. Mesmo assim, acabou sendo incluído na investigação por resistência — algo que ele contesta.

Agora, o caso segue sendo apurado. E no meio de versões diferentes, uma coisa é certa: uma vida foi perdida, uma família foi quebrada, e vários planos ficaram pelo caminho.



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