Voto de dois ministros pega André Mendonça de surpresa

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, acabou sendo pego de surpresa durante uma votação importante que rolou no plenário da Corte. O julgamento tratava da continuidade, ou não, da chamada CPMI do INSS — aquela comissão criada pra investigar possíveis irregularidades envolvendo o instituto.

Segundo relatos de bastidores, Mendonça estava convicto de que teria o apoio de dois nomes de peso dentro do Supremo: Edson Fachin, atual presidente da Corte, e também Cármen Lúcia. A expectativa era de que ambos votassem a favor da prorrogação das investigações no Congresso. Mas não foi bem isso que aconteceu.

Na hora H, os dois seguiram um caminho diferente e votaram pelo encerramento da comissão. A mudança de posição, digamos assim, causou um certo estranhamento — principalmente porque, nos bastidores, o clima era de que poderia haver mais apoio à tese defendida por Mendonça.

No fim das contas, só Luiz Fux acabou acompanhando o voto dele. Ou seja, ficou meio isolado. O placar final foi de 8 votos a 2 contra a prorrogação da CPMI, revertendo inclusive uma decisão liminar que o próprio Mendonça tinha concedido anteriormente. Meio que um balde de água fria, pra resumir.

Mesmo assim, segundo pessoas próximas, Mendonça não saiu criticando geral. Pelo contrário. Ele reconheceu que tanto Fachin quanto Cármen Lúcia apresentaram argumentos bem estruturados, consistentes até. Em outras palavras, não foi uma decisão tomada “de qualquer jeito”. Existe ali uma discussão jurídica que, como o próprio ministro teria dito, não é exatamente “preto no branco”.

E isso faz sentido. A questão da prorrogação de CPIs (ou CPMIs) sempre gera debate. Não é algo simples. De um lado, Mendonça e Fux defenderam que estender o prazo dessas comissões é um direito importante das minorias parlamentares — uma forma de garantir fiscalização e evitar que investigações sejam encerradas antes da hora.

Por outro lado, a maioria dos ministros entendeu diferente. Avaliaram que, nesse caso específico, a comissão não cumpria os requisitos necessários para continuar funcionando. E aí, seguindo o regimento, decidiram que o melhor caminho era encerrar os trabalhos tanto na Câmara quanto no Senado.

Aliás, vale lembrar que esse tipo de decisão acontece num momento em que o país ainda discute bastante o papel das instituições e o equilíbrio entre os poderes. Em tempos de tensão política, qualquer movimento do Supremo acaba sendo analisado com lupa — seja por apoiadores, críticos ou até por quem só acompanha de longe.

Um ponto que também precisa ser destacado, e muita gente pode acabar confundindo, é que o fim da CPMI não significa o fim das investigações em si. Os inquéritos que estão sob relatoria de André Mendonça, envolvendo suspeitas de fraudes no INSS e também no Banco Master, continuam tramitando normalmente dentro do STF.

Ou seja, apesar da comissão parlamentar ter sido encerrada, as apurações seguem em outro nível. E isso muda bastante o jogo, porque o foco sai do Congresso e fica concentrado no Judiciário.

No fim, o episódio mostra bem como decisões dentro do Supremo nem sempre seguem previsões ou alinhamentos prévios. Às vezes, o voto surpreende — até quem tá ali dentro. E foi mais ou menos isso que aconteceu dessa vez.



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