O advogado Celso Vilardi, que hoje atua na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, já chegou a dar declarações que, olhando agora, causam até certo estranhamento. Isso porque, antes de assumir oficialmente o caso, ele mesmo reconheceu publicamente que existiam sinais bem claros de uma tentativa de golpe de Estado no Brasil, especialmente no período entre 2021 e 2022.
Vilardi não é qualquer nome no meio jurídico. Ele tem uma carreira longa, já passou por casos de grande repercussão nacional, tipo aqueles que dominam o noticiário por semanas. Atuou, por exemplo, em processos ligados à Operação Lava Jato e também defendeu figuras conhecidas como Delúbio Soares e o empresário Eike Batista. Ou seja, experiência ele tem de sobra, não dá pra negar.
Em novembro de 2024, pouco tempo depois da Polícia Federal indiciar Bolsonaro e outras dezenas de pessoas por suspeita de envolvimento em uma trama golpista, Vilardi participou de uma entrevista na CNN Brasil. O papo foi com o jornalista William Waack, e ali ele falou de forma bem direta — até surpreendente, pra muitos.
Na conversa, Waack foi reto: perguntou se, com base na experiência de Vilardi como criminalista, existiam elementos concretos no relatório da polícia que sustentassem a acusação de que Bolsonaro teria planejado e participado ativamente de um golpe. Não era uma pergunta simples, e a resposta também não veio cheia de rodeios.
Vilardi disse que sim. Segundo ele, havia indícios fortes, consistentes, que apontavam pra uma tentativa de ruptura institucional. Em determinado momento, ele chegou a afirmar que “não há como negar, nessa altura do campeonato”, que existiam evidências claras de uma tentativa de golpe de Estado. Foi uma fala que repercutiu bastante na época, inclusive nas redes sociais, que já estavam bem agitadas com esse assunto.
Ele citou alguns pontos que, na visão dele, reforçavam essa suspeita: depoimentos considerados consistentes, mensagens trocadas entre envolvidos, além de relatos sobre monitoramento de autoridades — inclusive um ministro do Supremo Tribunal Federal. Também mencionou a existência de um plano que teria sido articulado dentro do próprio Palácio do Planalto, o que deixou muita gente em alerta naquele momento.
Só que, como acontece muito na política (e no direito também, diga-se), o cenário mudou. Em janeiro de 2025, Vilardi foi oficialmente contratado para integrar a defesa de Bolsonaro no julgamento que corre na primeira turma do STF. E aí, curiosamente — ou nem tanto assim — o discurso começou a mudar.
Depois de assumir o caso, o advogado passou a adotar uma linha completamente diferente. Em novas declarações, afirmou que a investigação conduzida pela Polícia Federal teria um viés, sugerindo que o trabalho não foi tão imparcial quanto deveria. Além disso, disse estar convencido de que Bolsonaro não cometeu crime algum.
A mudança de posicionamento chamou atenção, claro. Nas redes, teve gente que criticou, outros defenderam dizendo que faz parte do papel do advogado assumir a melhor estratégia possível para seu cliente. E, sendo justo, no mundo jurídico isso realmente acontece — advogados podem ter opiniões pessoais, mas quando entram num caso, a função principal é garantir a defesa técnica.
Mesmo assim, fica aquele clima meio estranho no ar. Porque não é todo dia que alguém afirma com tanta certeza a existência de indícios de um golpe, e pouco tempo depois passa a sustentar o contrário. Parece até roteiro de série política, daquelas cheias de reviravolta.
Enquanto isso, o caso segue sendo acompanhado de perto, tanto por especialistas quanto pela população. Afinal, não se trata de qualquer investigação — envolve um ex-presidente da República, instituições importantes e um momento delicado da democracia brasileira. E pelo jeito, essa história ainda tá longe de acabar.