PM Gisele fez pergunta macabra para amiga sobre coronel; entenda

O caso da policial militar Gisele Alves Santana continua cercado de tensão e relatos fortes que vieram à tona depois da morte dela, registrada no dia 18 de fevereiro. Entre colegas de trabalho, a soldado já vinha desabafando havia algum tempo, dizendo que se sentia sufocada dentro do próprio casamento. Segundo essas pessoas, ela descrevia o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, como um homem extremamente ciumento e controlador — daqueles que querem saber de tudo, o tempo todo.

Dias antes de morrer, Gisele chegou a fazer uma pergunta que hoje soa pesada: questionou a uma amiga se ela acreditava que o marido teria coragem de matá-la. Não foi uma frase solta, jogada ao vento. Pelo contrário, veio carregada de medo, de insegurança… talvez até de um certo pressentimento, coisa que a gente só percebe depois que algo ruim acontece.

Em conversas dentro do ambiente de trabalho, ela também relatava comportamentos que colegas classificaram como abusivos. Em uma dessas falas, Gisele teria dito algo no calor do momento: que, se a situação chegasse ao limite, seria “tudo ou nada”. E completou com uma frase que agora aparece nos depoimentos: “ou ele me mata, ou eu mato ele pra me proteger”. É o tipo de desabafo que mostra o nível de tensão que ela vivia no dia a dia.

O caso ganhou ainda mais repercussão quando o tenente-coronel foi preso, na quarta-feira (18 de março), apontado como principal suspeito. Ele, por outro lado, nega qualquer envolvimento e afirma que a esposa teria tirado a própria vida. Essa versão, no entanto, vem sendo contestada pelas investigações conduzidas pela Polícia Civil, que continuam ouvindo testemunhas e analisando detalhes.

E os relatos não param por aí. Colegas disseram que o oficial costumava se escalar no mesmo turno de trabalho da esposa, justamente para ficar de olho nela. Em várias situações, colocava Gisele como “auxiliar” na própria viatura — o que, na prática, permitia uma vigilância constante. Quando isso não era possível, segundo depoimentos, ele chegava a pagar para que ela não fosse trabalhar. Um controle que ultrapassava o ambiente doméstico e invadia também o profissional.

Outro ponto que chamou atenção foi o impacto dessa relação na família. Gisele teria contado que a filha, uma criança de apenas 7 anos, passou a apresentar mudanças de comportamento depois da convivência com o padrasto. Entre os sinais, perda de peso e episódios de enurese noturna — o famoso “xixi na cama”. Situações delicadas, que normalmente indicam algum tipo de sofrimento emocional.

No dia a dia, a soldado também enfrentava restrições que parecem pequenas, mas dizem muito. Segundo colegas, ela só se maquiava no trabalho, já que em casa não podia usar maquiagem nem perfume. Além disso, o marido teria controle sobre redes sociais e aplicativos de mensagem. Um dos policiais ouvidos afirmou que Gisele chegou a bloquear todos os colegas homens nas redes — mas não ficou claro se isso partiu dela mesma, pra evitar discussões, ou se foi uma exigência do oficial.

Os depoimentos ainda citam episódios mais graves. Em uma briga dentro do quartel, Gisele teria sido enforcada e pressionada contra a parede. Em outras ocasiões, o tenente-coronel aparecia de surpresa no local de trabalho, tentando flagrar algo. Teve até um momento, segundo testemunhas, em que ele tentou se esconder atrás de uma pilastra só pra ouvir uma conversa dela com colegas. Uma cena quase inacreditável, mas que foi relatada com seriedade.

Apesar de tudo isso, as testemunhas foram firmes em um ponto: nenhuma delas percebeu em Gisele qualquer comportamento que indicasse intenção de suicídio. Pelo contrário, o que aparece nos relatos é uma mulher sob pressão constante, tentando lidar com uma situação difícil… talvez até perigosa.

Agora, o caso segue nas mãos da Justiça, enquanto familiares, amigos e colegas aguardam respostas. E fica aquela sensação estranha, sabe? De que, talvez, os sinais estavam ali — só que, como acontece em tantas histórias parecidas, ninguém imaginava até onde aquilo poderia chegar.



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