Família de Eliza Samudio sobre goleiro Bruno: “Deboche à Justiça”

Família de Eliza Samúdio Clama por Justiça em Carta Emocionante

No dia 17 de março, a família de Eliza Samúdio, a jovem assassinada em 2010, divulgou uma carta aberta que expressa sua indignação e dor com relação à liberdade do goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza, condenado pelo feminicídio da jovem. No documento, as familiares, Sônia Fátima Moura, mãe de Eliza, e Maria do Carmo dos Santos, madrinha de Bruninho, o filho da vítima, fazem críticas contundentes e pedem que as autoridades tomem providências urgentes.

Um Chamado à Justiça

Na carta, a mãe e a madrinha de Eliza destacam que suas reivindicações não se tratam de busca por vingança, mas sim por justiça. Elas cobram que a Vara de Execução Penal investigue possíveis viagens não autorizadas de Bruno nos últimos anos. É um pedido direto para que o Ministério Público atue com rigor, especialmente diante de descumprimentos das regras previstas na Lei de Execução Penal.

Além disso, a família exige que o Poder Judiciário assegure o cumprimento integral da pena imposta a Bruno, que é de 22 anos e 3 meses. Eles querem que qualquer violação, seja fuga ou desrespeito às condições de liberdade, seja punida adequadamente.

Desabafo de uma Mãe

A carta é um desabafo profundo, onde as autoras afirmam que o sistema judiciário tem falhado em protegê-las. “Escrevemos porque o silêncio não é uma opção. O sistema judiciário, que deveria proteger e garantir o cumprimento das leis, tem falhado reiteradamente conosco — e, por extensão, com toda a sociedade”, dizem.

Uma das partes mais impactantes do documento menciona um evento recente: no dia 15 de fevereiro deste ano, apenas cinco dias após a progressão de regime, Bruno viajou para o Acre, onde jogou uma partida de futebol pelo time Vasco-AC. Essa situação é descrita como uma afronta à memória de Eliza e à dor de sua família.

O Luto da Família

A família de Eliza expressa sua revolta ao lembrar que, enquanto Bruno desfruta de privilégios incompatíveis com sua condição de apenado, eles enfrentam um luto sem fim. “Enquanto ele recebe autógrafos e holofotes, nós seguimos tentando sobreviver ao luto sem corpo, à dor sem reparação, à ausência sem justiça”.

Críticas ao Sistema Judicial

Sônia e Maria do Carmo ainda chamam a atenção para o fato de que Bruno se negou a fazer exames de DNA por duas vezes, ignorando a paternidade de Bruninho. “Pagou pensão apenas uma vez, o suficiente para evitar a prisão. Há quase quatro anos, não contribui com um centavo para a criação do próprio filho”, afirmam, questionando como um apenado pode não ser localizado pela justiça.

Elas levantam questionamentos sobre a eficácia do sistema judiciário em lidar com casos de violência contra a mulher e a aplicação das penas para condenados por feminicídio. “Quantas mulheres precisarão morrer ou serem espancadas para que o sistema leve a sério o cumprimento das penas de criminosos e feminicidas?”

O Estado de Foragido

Atualmente, Bruno é considerado foragido pela Justiça do Rio de Janeiro, não se apresentando às autoridades após um mandado de prisão por descumprimento das regras de liberdade condicional. A Vara de Execuções Penais já havia revogado seu benefício por ele ter se ausentado do estado sem autorização.

O juiz Rafael Estrela Nóbrega, em sua decisão, ressaltou que as ações de Bruno demonstram um claro desinteresse pelo cumprimento das condições que lhe foram impostas. Agora, ele deve retornar à prisão, no regime semiaberto.

Conclusão

A carta da família de Eliza Samúdio é um grito por justiça em meio a uma dor imensurável. Eles pedem que a sociedade e as autoridades não fechem os olhos para a realidade de quem sofre com a perda e a falta de justiça. O caso de Eliza ainda ressoa e é um lembrete constante da necessidade de um sistema judicial mais eficaz e justo.



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