Síndrome de pica: Confira se você tem e como tratar

A chamada síndrome de pica é um problema de saúde que muita gente nem imagina que existe, mas que afeta milhões de pessoas pelo mundo — e no Brasil também. O curioso é que ela não escolhe classe social, idade ou sexo. Pode aparecer em criança, adulto, gestante… praticamente qualquer pessoa. Por isso, entender o que é esse transtorno e como ele aparece no dia a dia acaba sendo bem importante.

De forma simples, a síndrome de pica é um distúrbio alimentar em que a pessoa sente vontade — e acaba consumindo — coisas que não são consideradas comida. Isso precisa acontecer por pelo menos 30 dias para caracterizar o quadro. O detalhe é que esses itens geralmente não têm valor nutritivo nenhum e, em muitos casos, podem até prejudicar a saúde.

De acordo com o médico Drauzio Varella, existem diversos relatos curiosos — e até preocupantes — de pessoas que passaram por essa situação. Em uma reportagem feita pelo jornalista Lucas Gabriel Marins, alguns depoimentos chamaram bastante atenção. Uma mulher contou que, durante a gravidez, sentiu uma vontade enorme de comer arroz cru e até terra vermelha. Segundo ela, em um momento de impulso, chegou a engolir um pedaço de tijolo. Já outra pessoa revelou algo igualmente estranho: consumia quase dois quilos de farinha de mandioca por dia. É muita coisa, né.

Esses relatos ajudam a mostrar como o transtorno pode se manifestar de formas bem diferentes. O nome da doença, inclusive, vem de um pássaro chamado pega-rabuda, conhecido cientificamente como Pica pica. Esse animal é famoso por ter uma dieta meio incomum e por pegar praticamente qualquer coisa que encontra pela frente. Só que, no caso dos seres humanos, esse comportamento pode trazer vários riscos — tanto para o corpo quanto para o lado psicológico.

Entre os objetos ou substâncias mais desejados por quem tem essa síndrome estão papel, sabão, gelo, cabelo, barbante, lã, terra, giz, pó de talco, tinta e até metal. Também aparecem relatos de pessoas que comem pedras, carvão, cinzas, argila, amido e pedaços de pano. Parece estranho — e realmente é — mas para quem sofre do problema a vontade pode ser bem forte.

Especialistas explicam que uma das causas possíveis está ligada a deficiências nutricionais. Quando o organismo sente falta de algum nutriente importante, ele pode acabar “buscando” aquilo de formas instintivas. Um exemplo comum acontece com crianças que têm deficiência de ferro: muitas delas desenvolvem vontade de comer terra.

Mas não é só isso. Em alguns casos, a síndrome de pica também pode estar relacionada a fatores psicológicos ou até questões neurológicas. O psiquiatra Marcelo Heyde explica que, durante a gestação, existe sim um aumento da necessidade de certos nutrientes, como ferro e zinco. Mesmo assim, esse fator sozinho não explica totalmente o fenômeno.

Segundo ele, gestantes que passam por momentos de fragilidade emocional ou que não têm muito suporte familiar também podem apresentar maior risco de desenvolver esse comportamento. Ou seja, não é apenas algo físico — o lado emocional conta bastante.

Outra coisa importante: não existe um tratamento único ou padrão para a síndrome. Cada caso precisa ser avaliado de forma individual. Em algumas situações, o acompanhamento envolve médicos, psicólogos e até nutricionistas. Tudo depende do que está provocando aquela necessidade específica.

Além disso, alguns estudos indicam que o transtorno pode aparecer junto com outras condições, como ansiedade, depressão ou até transtorno obsessivo-compulsivo. Por isso o diagnóstico correto faz muita diferença.

No fim das contas, a síndrome de pica pode parecer algo raro ou até estranho à primeira vista, mas ela existe e merece atenção. Identificar os sinais e buscar ajuda profissional é o caminho mais seguro para evitar complicações e garantir que a pessoa receba o tratamento adequado.

Se tem uma coisa que a medicina sempre lembra — e vale repetir — é que o corpo costuma dar sinais quando algo não está certo. E ignorar esses sinais quase nunca é uma boa ideia.



Recomendamos