Cunhada de Moraes é autora do Código de Ética do Banco Master; entenda

Nos últimos dias, um detalhe curioso começou a circular nos bastidores de Brasília e também nas redes sociais. O nome da advogada Ana Claudia Consani de Moraes, cunhada do ministro do Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, apareceu ligado a um documento importante dentro do Banco Master.

Pode parecer algo técnico, daqueles assuntos que normalmente passam longe do grande público, mas quando envolve parentesco com uma autoridade de alto escalão, a história acaba ganhando outro peso. E foi exatamente isso que aconteceu.

De acordo com informações que circulam desde a semana passada, Ana Claudia Consani de Moraes aparece como autora do Código de Ética do Banco Master. O detalhe é que ela é casada com Leonardo de Moraes, irmão do ministro do STF. Ou seja, estamos falando de uma relação familiar direta.

A informação veio à tona depois que metadados de um arquivo em PDF disponível no próprio site do banco foram analisados pelo portal Poder360. Nesse documento digital, o nome da advogada aparece listado como “autora” do chamado Código de Ética da instituição financeira. Segundo os registros do arquivo, o documento teria sido criado em 8 de abril de 2025.

Pra quem não está acostumado com esse tipo de coisa, metadados são basicamente informações escondidas dentro do arquivo. É ali que ficam dados como data de criação, autor, alterações e por aí vai. Muitas vezes esses detalhes passam batido, mas quando alguém resolve olhar com atenção, podem revelar bastante coisa.

Outro ponto que chamou atenção é que Ana Claudia atua como consultora no escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, que por coincidência é esposa do ministro Alexandre de Moraes. Esse escritório manteve um contrato de prestação de serviços com o Banco Master.

E não foi um contrato pequeno, não. Segundo informações divulgadas, o acordo teria resultado em pagamentos que somam cerca de R$ 80 milhões ao longo de 22 meses. É um valor considerável, daqueles que naturalmente levantam questionamentos e despertam curiosidade.

Em nota divulgada no dia 9 de março de 2026, o escritório Barci de Moraes confirmou que a elaboração do Código de Ética fazia parte do pacote de materiais e serviços entregues ao banco. A instituição financeira é controlada pelo empresário Daniel Vorcaro.

Apesar disso, a nota oficial não menciona diretamente quem foi o autor do documento.

Segundo o comunicado divulgado, a equipe jurídica participou de diversas atividades dentro do projeto. Entre elas, a implementação do novo Código de Ética e Conduta do banco, incluindo apresentações presenciais para superintendências da instituição.

Ainda conforme o texto, os advogados também prestaram consultoria em temas ligados ao mercado financeiro. Entre os serviços citados estão análises de questionários da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, revisão de formulários de due diligence e elaboração de modelos de relatórios regulatórios relacionados à remuneração.

Além disso, a equipe também teria participado do preenchimento da autoavaliação do chamado Pacto Brasil pela Integridade Empresarial, com atividades registradas em setembro e outubro de 2025.

Mas o currículo de Ana Claudia Consani não se resume apenas a esse trabalho. A advogada também participa de várias comissões e grupos ligados a temas como integridade, ética e compliance.

Entre as instituições nas quais ela já atuou ou atua estão a Petrobras, a Ordem dos Advogados do Brasil – seccional de São Paulo –, o Instituto Brasileiro de Direito e Ética Empresarial e o Instituto de Direito Administrativo Sancionador Brasileiro.

Mesmo assim, o caso acabou ganhando repercussão política. O deputado federal Kim Kataguiri, do União Brasil de São Paulo, afirmou ter protocolado na última quarta-feira um requerimento para convocar a advogada a prestar esclarecimentos na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS.

Segundo o parlamentar, também foi apresentado um pedido para que o ministro Alexandre de Moraes seja chamado a depor na mesma comissão.

Por enquanto, o assunto ainda está no campo político e administrativo. Mas em Brasília, como todo mundo sabe, histórias assim costumam ganhar novos capítulos com certa rapidez. E dependendo dos desdobramentos, esse tema ainda pode render bastante debate nas próximas semanas.



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