A prisão do banqueiro Daniel Vorcaro continua dando o que falar em Brasília — e, pelo visto, também dentro da cela onde ele está detido. Segundo informações divulgadas pela revista Veja, o empresário teria tido um verdadeiro ataque de nervos depois de saber que o Supremo Tribunal Federal decidiu manter sua prisão preventiva.
O episódio aconteceu na tarde de sexta-feira (13) dentro da Penitenciária Federal de Brasília. De acordo com relatos de pessoas próximas ao caso, Vorcaro ficou extremamente revoltado quando recebeu a notícia da decisão judicial. Em um momento de descontrole, ele começou a esmurrar a parede da cela onde está preso. O resultado foi que acabou machucando as mãos e precisou ser levado para atendimento médico dentro do próprio presídio.
Quem acompanha os bastidores da política e do sistema financeiro diz que a reação do banqueiro foi bem intensa. Interlocutores afirmam que, durante o surto, Vorcaro chegou a gritar nomes de políticos e autoridades com quem teria mantido algum tipo de relação financeira no passado. Segundo esses relatos, ele reclamava que essas pessoas agora não estariam fazendo nada para ajudá-lo a sair da cadeia.
A situação de Vorcaro se complicou depois que a Segunda Turma do STF analisou o caso. Até agora, três ministros já votaram pela manutenção da prisão preventiva do empresário. O relator do processo, o ministro André Mendonça, foi o primeiro a defender que ele continue preso. Depois vieram os votos dos ministros Luiz Fux e Nunes Marques, que acompanharam o relator.
Ainda falta o voto do ministro Gilmar Mendes, considerado o decano da Corte. Mesmo assim, como já existe maioria formada, a tendência é que a prisão continue valendo por enquanto.
Nos bastidores de Brasília, muita gente já comentava que a expectativa do banqueiro era grande em relação a essa decisão. Ele acreditava que poderia conseguir uma reviravolta no tribunal. Mas o resultado acabou sendo o oposto do que ele esperava, o que teria provocado esse momento de desespero dentro da cadeia.
Outra movimentação importante aconteceu na equipe de defesa. O advogado Pierpaolo Bottini, do escritório Bottini & Tamasauskas, decidiu deixar o caso. Oficialmente, ele alegou “motivos pessoais”. Mesmo assim, a saída chamou atenção porque ocorreu justamente no momento mais delicado do processo.
Quem assume a defesa agora é o advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido no meio jurídico por atuar em casos de grande repercussão nacional. Ele já conduziu acordos de delação premiada importantes no passado.
Um dos exemplos foi o acordo firmado com Leo Pinheiro durante as investigações da Operação Lava Jato. Oliveira Lima também participou da defesa do ex-ministro José Dirceu na época do escândalo do Escândalo do Mensalão.
Mais recentemente, o advogado chegou a representar o general Walter Braga Netto em processos ligados à investigação sobre tentativa de golpe de Estado.
Outro detalhe curioso é que Oliveira Lima já tinha relação profissional com o próprio Banco Master antes mesmo da crise atual. Ele prestava serviços jurídicos à instituição antes da liquidação determinada pelo Banco Central.
De acordo com a jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, Vorcaro estava aguardando justamente a decisão da Segunda Turma do STF para decidir qual seria seu próximo passo na estratégia de defesa.
Agora, com a confirmação da prisão preventiva, a tendência é que o banqueiro comece a negociar um acordo de delação premiada. Nos corredores do poder em Brasília já se comenta que essa possibilidade pode trazer novos nomes e fatos à tona.
Se isso realmente acontecer, o caso pode ganhar um novo capítulo — e talvez até atingir outras figuras do mundo político e financeiro. Mas, por enquanto, o que se sabe é que Daniel Vorcaro continua atrás das grades, lidando com as consequências de uma investigação que ainda promete dar muita repercussão.