FGV: Incertezas no comércio podem repercutir na relação entre Brasil e EUA

A Incerteza do Comércio Exterior em 2026: Desafios e Oportunidades

O ano de 2026 começou com um clima de incerteza no comércio exterior, especialmente entre o Brasil e os Estados Unidos. O primeiro bimestre foi marcado por uma série de eventos que levantaram questões sobre como as negociações comerciais seriam afetadas. Tais eventos incluíram decisões importantes do governo dos Estados Unidos e o aumento das tensões no Oriente Médio, que, segundo o Indicador de Comércio Exterior (Icomex) da Fundação Getulio Vargas (FGV), podem ter efeitos diretos nas relações comerciais entre os dois países.

Segundo a FGV, a situação atual é complexa. O fechamento do bimestre trouxe à tona a necessidade de se considerar diferentes cenários para as negociações comerciais. Um dos cenários aponta para a possibilidade de tarifas de 50% sobre cerca de 22% das exportações brasileiras, enquanto outro sugere tarifas mais amenas, de apenas 15%. A diferença entre esses dois cenários pode ser crucial para o Brasil, que está tentando navegar por um mar de incertezas.

Impactos das Decisões Americanas

Recentemente, a Suprema Corte dos Estados Unidos tomou uma decisão que pode ter amplas repercussões. A corte derrubou a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), que havia sido utilizada para justificar um aumento significativo de tarifas em produtos importados, o que poderia beneficiar o Brasil ao eliminar algumas tarifas que ainda estavam em vigor. No entanto, essa esperança foi ofuscada quando o presidente Donald Trump decidiu usar a Seção 122 do Código de Comércio, permitindo tarifas de até 15% por um período de 150 dias. Essa mudança pode alterar o cenário de negociação que o Brasil esperava para março.

Tensões Geopolíticas e seus Efeitos

As tensões no Oriente Médio, especialmente após um ataque conjunto dos Estados Unidos e Israel ao Irã, também contribuíram para um aumento da imprevisibilidade global. A duração desse conflito e seus desdobramentos são fatores que podem impactar diretamente a economia mundial, principalmente através do aumento no preço do petróleo, que influencia os custos de transporte e logística. Isso, por sua vez, pode levar a pressões inflacionárias que afetariam tanto o comércio quanto a política monetária, resultando em um adiamento de cortes de juros e uma desaceleração do comércio global.

Para o Brasil, a alta no preço do petróleo pode trazer algumas vantagens, uma vez que o país é um grande exportador de commodities. No entanto, a realidade é que o Brasil também importa uma quantidade significativa de óleo diesel, o que significa que o aumento dos preços pode ser uma faca de dois gumes.

O Cenário Comercial Brasileiro

Apesar das incertezas externas, o balanço comercial do Brasil apresentou uma melhora impressionante no primeiro bimestre de 2026. O saldo alcançou US$ 8,0 bilhões, um aumento significativo em relação aos US$ 1,9 bilhão registrados em 2025. As exportações cresceram 15,6%, enquanto as importações caíram 4,8%. Esse crescimento foi impulsionado principalmente pela China, que teve um aumento nas importações de automóveis de passageiros, com um crescimento de 68,4% em comparação com os primeiros bimestres do ano anterior.

Taxa de Câmbio e Volatilidade

Além disso, a FGV observou que a taxa de câmbio efetiva real teve uma leve valorização de 2,9% entre os dois primeiros bimestres de 2025 e 2026. No entanto, as turbulências políticas nos Estados Unidos, especialmente sob a administração de Trump, resultaram em um aumento na entrada de capital nos mercados emergentes, que estão oferecendo taxas de juros mais elevadas. A volatilidade cambial, portanto, deve ser uma característica marcante desses tempos de incertezas e conflitos.

Como conclusão, o cenário para o comércio exterior no início de 2026 é repleto de desafios e oportunidades. As decisões políticas e os conflitos geopolíticos estão moldando as expectativas, e o Brasil precisa se adaptar rapidamente a essas mudanças. A habilidade de navegar por essas incertezas será crucial para o sucesso do comércio exterior brasileiro nos próximos meses.



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