A Polícia Legislativa Federal (PLF) decidiu indiciar o humorista e influenciador Tiago Santineli por ameaça de morte e incitação ao crime contra o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A intimação foi entregue ao comediante poucos minutos antes dele subir ao palco para um show em São Paulo, no último sábado (28). O clima, segundo pessoas que estavam no local, ficou tenso. Teve gente que nem entendeu direito o que estava acontecendo.
A investigação começou depois de uma publicação feita por Santineli em janeiro deste ano na rede social X (antigo Twitter). No texto, ele escreveu: “Alguém desliga o Nikolas por favor. Pode ser igual desligaram o Charlie Kirk, não importa”. A frase rapidamente repercutiu, gerou indignação entre apoiadores do parlamentar e acabou sendo anexada ao inquérito.
O problema é que a comparação feita pelo humorista envolvia Charlie Kirk, que foi assassinado durante um evento em uma universidade nos Estados Unidos, em setembro de 2025. A morte do ativista teve ampla cobertura internacional na época e ainda é assunto sensível em debates políticos mais acalorados. Ao citar o caso, Santineli acabou entrando numa linha perigosa — pelo menos na avaliação dos investigadores.
Na mesma postagem, o influenciador também xingou Nikolas e afirmou que o deputado não poderia receber salário público para pedir que “um país estrangeiro invadisse o próprio país que ele é pago para representar”. A fala foi interpretada como um ataque direto e com teor de ameaça, ainda que escrita em tom considerado por ele como “irônico”. Mas ironia, como se sabe, nem sempre cola quando vira caso de polícia.

Santineli chegou a ser intimado para prestar esclarecimentos, porém não compareceu à delegacia na data marcada inicialmente. Isso pesou contra ele no andamento do procedimento. Depois de concluída, a investigação será encaminhada à Justiça Federal, que vai decidir se aceita ou não a denúncia formal do Ministério Público. A partir daí, o caso pode virar ação penal.
Não é a primeira vez que o nome do humorista aparece ligado a esse episódio. Em setembro de 2025, ele já havia sido indiciado por divulgar um vídeo relacionado à morte de Charlie Kirk e fazer menção a Nikolas Ferreira. Na ocasião, o conteúdo também foi considerado passível de responsabilização penal. Ou seja, o histórico recente não ajudou muito na defesa.
O caso reacende uma discussão que anda quente no Brasil e fora dele: até onde vai a liberdade de expressão? E quando uma fala deixa de ser piada e passa a ser vista como incentivo à violência? Em tempos de redes sociais aceleradas, frases escritas no impulso podem ganhar proporções gigantescas em questão de minutos. E aí o estrago já tá feito.
Nos bastidores políticos, aliados de Nikolas afirmam que não se trata de humor, mas de ameaça clara. Já apoiadores de Santineli dizem que tudo não passou de crítica política em tom ácido, algo comum no stand-up e na internet. A verdade, provavelmente, será definida nos autos do processo, com base no que diz a lei.
Enquanto isso, o episódio soma mais um capítulo na relação conturbada entre influenciadores digitais e autoridades. O palco agora não é o teatro nem o feed, mas o tribunal. E ali, diferente do show, não tem aplauso que resolva.