Neste domingo, dia 1º, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), resolveu falar – e falou alto. Pelas redes sociais, ela criticou duramente quem participou dos atos chamados “Acorda, Brasil”, protestos que aconteceram em várias cidades do país com a bandeira do combate à corrupção. O tom foi pesado, direto, quase inflamado. E, como já virou rotina no Brasil atual, a temperatura política subiu mais alguns graus.
Segundo Gleisi, os manifestantes estavam “fantasiados de brasileiros”. A frase chamou atenção não só pelo peso simbólico, mas pela clara intenção de provocar. Para ela, parte dos participantes não estariam defendendo o país coisa nenhuma, mas sim interesses políticos ligados ao bolsonarismo. E aí começou o embate verbal.
Em sua publicação, a ministra afirmou que bolsonaristas teriam “entregado o país a Trump no tarifaço pra salvar o pai”, numa referência indireta às relações internacionais durante o governo passado e às polêmicas envolvendo a família Bolsonaro. A menção a Donald Trump não foi por acaso. O nome do ex-presidente americano costuma aparecer como símbolo de uma política mais radical à direita, e isso acaba servindo como combustível em discussões por aqui também.
Gleisi também acusou os manifestantes de irem à Avenida Paulista “emular besteiras” e espalhar mentiras para atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Disse que eles perderam a eleição e tentaram um golpe — numa clara referência aos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, quando prédios dos Três Poderes foram invadidos em Brasília. Esse episódio ainda ecoa forte no debate público e volta e meia é lembrado como ferida aberta na democracia brasileira.
A ministra foi além. Citou o senador Flávio Bolsonaro, afirmando que ele estaria envolvido em “negócios escusos” e que teria de explicar a situação de uma coordenadora ligada ao seu gabinete, mencionada como cunhada de um ex-dirigente do INSS. Não apresentou detalhes, mas deixou no ar a suspeita, o que já foi suficiente para incendiar as redes sociais. É aquele tipo de declaração que não passa batido, gera manchete e, claro, resposta do outro lado.
Num trecho ainda mais enfático, Gleisi escreveu que não tem medo do embate político. Disse que “já colocamos uma vez vocês no devido lugar” e chamou adversários de “lesa pátrias”. A escolha das palavras mostra que o clima está longe de ser amistoso. A polarização segue firme, talvez até mais acentuada do que nos últimos anos.
Ela também afirmou que o Brasil acordou “há mais de três anos” do que chamou de pesadelo, referindo-se ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a ministra, a gestão anterior mergulhou o país em crises profundas, citando especialmente a pandemia da Covid-19, que deixou centenas de milhares de vítimas, além de impactos na economia e nos programas sociais. É um ponto sensível. Muita gente concorda, muita gente discorda — e o debate segue, às vezes mais emocional do que racional.
Ao final, em letras maiúsculas, ela declarou: “O BRASIL ESTÁ BEM ACORDADO!!!”. A frase soa quase como um grito, uma tentativa de reafirmar que o atual governo tem apoio popular e que não há espaço para retrocessos.
No fundo, o episódio mostra como o Brasil continua dividido. De um lado, manifestantes que dizem lutar contra corrupção e abusos. Do outro, integrantes do governo que enxergam nesses atos uma tentativa de desestabilização política. Em meio a isso tudo, o cidadão comum tenta entender, filtrar informações e seguir a vida — pagando contas, enfrentando transporte lotado, acompanhando as notícias entre um intervalo e outro.
A verdade é que o país segue acordado, sim. Mas acordado e inquieto. E, pelo visto, ainda vai demorar para que o tom das conversas políticas baixe um pouco. Enquanto isso, declarações fortes continuam sendo publicadas, compartilhadas e debatidas em tempo real, num Brasil que vive permanentemente em campanha.
Confira:
