“Indignação”: MP recorre contra absolvição de réu por estupro contra menina

Ministério Público de Minas Gerais Recorrerá de Decisão sobre Caso de Estupro de Menina de 12 Anos

Nesta terça-feira (24), em uma coletiva de imprensa que chamou atenção pela gravidade dos temas abordados, o Ministério Público de Minas Gerais revelou que decidiu recorrer da decisão judicial que absolveu dois indivíduos acusados de estupro de vulnerável, envolvendo uma menina de apenas 12 anos. O caso, que levanta questões profundas sobre a proteção das crianças e adolescentes no Brasil, inclui também a mãe da vítima, que é considerada responsável por facilitar os crimes cometidos por um homem de 35 anos.

O Recurso e os Motivos

O procurador de Justiça, André Ubaldino, declarou que o órgão apresentou embargos de declaração. Esse recurso serve para que o próprio sistema judiciário possa revisar suas decisões, especialmente quando há erros ou contradições evidentes. Ubaldino afirmou que o caso ainda não transitou em julgado, o que significa que o processo legal está longe de estar encerrado e que ainda há espaço para a apresentação de recursos.

Ainda segundo o procurador, a situação se torna ainda mais preocupante ao considerar que a jovem já havia tido experiências sexuais anteriores. “O que queremos levar aos tribunais é que, se ela foi estuprada uma vez, ela pode ser estuprada novamente. E o mais alarmante: ela ainda é uma criança, menor de 14 anos. Temos um sentimento de indignação, isso é inevitável”, desabafou.

A Decisão do Tribunal de Justiça

A absolvição dos réus foi decidida por uma votação apertada de 2 a 1 entre os desembargadores do Tribunal de Justiça de Minas. Os magistrados justificaram a decisão afirmando que a menina e o homem mantinham um “casamento” consentido. Essa afirmativa gerou revolta e descontentamento, uma vez que o Ministério Público discorda veementemente da interpretação dada.

O recurso que foi instaurado pelo Ministério Público deverá ser reavaliado pela mesma câmara de desembargadores. Ubaldino deixou claro que, caso a Justiça mineira não reverta a decisão, o MP não hesitará em levar o caso aos Tribunais Superiores, buscando a condenação dos réus. “Se a Justiça não atender nossas demandas e as expectativas da sociedade, lutaremos para que a condenação prevaleça, seja através do STF ou do STJ”, explicou.

A Legislação Brasileira em Questão

O procurador de Justiça ainda salientou que a legislação brasileira é clara ao considerar menores de 14 anos incapazes de consentir relações sexuais. Existe uma exceção conhecida como “Romeu e Julieta”, que se aplica em casos de pequena diferença de idade entre os envolvidos, mas ele enfatizou que essa exceção não se aplica aqui. “Estamos diante de uma diferença de idade significativa, onde o autor tem cerca de três vezes a idade da vítima”, afirmou Ubaldino.

Além disso, o procurador mencionou que há indícios de um processo de aliciamento, no qual o homem envolvido ofereceu presentes e contou com a aprovação da família da menina. “É surpreendente que um processo de aliciamento tão bem-sucedido tenha convencido dois magistrados de que se tratava de uma relação romântica”, refletiu.

Acompanhamento da Vítima

É importante mencionar que, de acordo com o Ministério Público, a vítima está recebendo acompanhamento psicológico e emocional. O órgão reafirmou seu compromisso em buscar a responsabilização dos envolvidos e na proteção de crianças e adolescentes, reafirmando que a luta contra a impunidade é uma prioridade. O caso é um lembrete sombrio da necessidade de um sistema legal que proteja os mais vulneráveis e garanta que a justiça seja feita.



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