A escola de samba Acadêmicos de Niterói viveu uma daquelas situações que parecem roteiro de comédia pastelão, mas que, infelizmente, aconteceram de verdade. A agremiação confirmou que uma pessoa simplesmente defecou em uma das alegorias pouco antes do desfile do último domingo (15), na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. Sim, é isso mesmo que você leu.
O episódio teria ocorrido ainda no período de concentração, quando os carros alegóricos já estavam posicionados e os componentes se preparavam para entrar na avenida. A alegoria em questão fazia parte do enredo que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que por si só já vinha causando debates nas redes sociais dias antes do desfile.
A informação veio à tona nesta quarta-feira (18), por meio da coluna Veja Gente, da revista Veja. Segundo a publicação, alguém subiu no carro alegórico e fez as próprias necessidades fisiológicas ali mesmo, no meio da estrutura cenográfica. Pouco tempo depois, integrantes da escola começaram a reclamar de um cheiro forte que tomava conta da alegoria. Inicialmente, pensaram que pudesse ser algum problema técnico, talvez algo relacionado ao material usado na montagem. Mas não. Era algo bem mais constrangedor.
O carnavalesco Thiago Martins confirmou o ocorrido posteriormente. Ele não revelou quem foi o responsável — até porque, segundo ele, não foi possível identificar a pessoa —, mas admitiu que a situação realmente aconteceu. Nos bastidores, o clima teria ficado pesado. Imagine o corre-corre para tentar resolver aquilo minutos antes de entrar na avenida mais famosa do país.
E como se já não bastasse esse episódio, o desfile da Acadêmicos de Niterói foi cercado de polêmicas desde antes de começar. Ainda nos dias que antecederam o carnaval, parlamentares de oposição entraram com ações na Justiça Eleitoral alegando que o enredo configuraria propaganda antecipada em favor de Lula. O pedido tentava impedir a apresentação da escola na Sapucaí, mas o desfile ocorreu normalmente.
Durante a apresentação, outra controvérsia ganhou força. Uma das alas trazia evangélicos representados em latas de conserva, o que foi interpretado por muitos como uma forma de deboche ou intolerância religiosa. Diversas lideranças cristãs se manifestaram publicamente nas redes sociais, criticando a abordagem da escola. Vídeos circularam no Instagram e no X (antigo Twitter), acumulando milhares de comentários indignados.
A seccional do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) também publicou uma nota oficial. No comunicado, a entidade classificou a representação como “preconceito religioso” e pediu respeito à liberdade de crença. A repercussão foi imediata e dividiu opiniões. Teve quem defendesse a liberdade artística do carnaval, argumentando que a festa sempre foi palco de críticas sociais e políticas. Outros, porém, consideraram que houve exagero.
No meio de tudo isso, a escola tentou manter o foco no desfile. Integrantes relataram que o clima na concentração era de tensão, mas também de determinação. Carnaval é isso: emoção à flor da pele, alegria misturada com nervosismo, e às vezes… imprevistos inacreditáveis.
O caso da alegoria acabou virando assunto nos bastidores da Sapucaí e também nas rodas de conversa da cidade. Em um carnaval que já vinha marcado por debates políticos e religiosos, o episódio do carro alegórico foi a cereja — nada agradável — no topo de uma temporada turbulenta.
No fim das contas, fica aquela sensação de que o carnaval de 2026 no Rio será lembrado não apenas pelo brilho das fantasias ou pelo samba-enredo, mas também por um episódio constrangedor que ninguém esperava. Coisas da vida real, que nem sempre seguem o roteiro ensaiado.