MP pede reintegração de aluno com Tourette e TDAH expulso de colégio no CE

Menino de 11 anos e a luta por justiça na educação: um caso de expulsão e direitos

Recentemente, um caso muito tocante veio à tona em Fortaleza, onde um menino de apenas 11 anos se viu em meio a uma situação complicada com a sua escola particular no bairro Cidade dos Funcionários. O jovem, que foi diagnosticado com a síndrome de Tourette e também com TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), acabou sendo expulso da instituição de ensino depois de enfrentar diversos episódios de desregulação emocional que são, na verdade, relacionados às suas condições médicas. Essa situação não só choca, mas também levanta questões importantes sobre a inclusão e os direitos das crianças com necessidades especiais dentro do ambiente escolar.

O caso chamou a atenção do Ministério Público do Ceará (MPCE), que não hesitou em agir. O MPCE protocolou uma Ação Civil Pública no dia 3 de fevereiro, buscando a reintegração imediata do aluno às atividades escolares. A medida foi divulgada à imprensa na última terça-feira, dia 10, e trouxe à tona a discussão sobre os direitos das crianças com condições neurodivergentes. O MPCE argumenta que a expulsão do estudante é injusta e deve ser revertida, sob pena de multa para a escola caso a decisão não seja acatada.

A situação do aluno e a resposta da escola

Segundo informações da 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Educação de Fortaleza, o aluno estava matriculado no 6º ano e, desde o início de 2025, vinha enfrentando um regime disciplinar excessivamente punitivo que não levava em conta suas condições de saúde. É muito triste saber que, mesmo a escola estando ciente das dificuldades do menino, uma vez que recebeu um laudo técnico detalhando suas condições desde dezembro de 2024, não houve a elaboração do PEI (Plano Educacional Individualizado). Este plano é um instrumento fundamental para garantir que o estudante receba o atendimento pedagógico adequado às suas necessidades.

A falta desse plano resultou em uma série de sanções disciplinares, aplicadas de forma sucessiva, mesmo após episódios de desregulação emocional. O Ministério Público descreveu essas desregulações como manifestações clínicas que estão diretamente ligadas às condições diagnosticadas do aluno, e não como comportamentos inadequados que merecem punição. Assim, a acumulação dessas punições culminou na expulsão do menino, que foi classificada pelo MP como uma forma de transferência compulsória, algo que é inaceitável.

A resposta do Ministério Público

Diante de toda essa situação, o MPCE não ficou inerte. Ele emitiu uma recomendação à escola, solicitando que reconsiderassem a decisão de expulsão e assegurassem a permanência do estudante. No entanto, essa recomendação não foi acatada. Como resultado, o MP decidiu entrar com a Ação Civil Pública para contestar a expulsão, buscando garantir os direitos do estudante.

A ação pede que a Justiça declare a nulidade da expulsão, argumentando que houve violação do devido processo legal, além de infringir normas de proteção às pessoas com deficiência. O MP também solicita que a matrícula do aluno seja renovada de forma compulsória para o ano letivo de 2026, garantindo, assim, que ele possa continuar seus estudos sem interrupções. Além disso, é requerido que a escola implemente e execute o PEI, conforme as orientações da equipe técnica multidisciplinar que acompanha o aluno, assegurando que ele receba as adaptações pedagógicas necessárias.

Consequências e reflexões

O MP também busca que a escola seja condenada a pagar indenização por danos morais, tanto individuais para a criança quanto coletivos, devido à conduta discriminatória e punitiva que foi adotada pela instituição. É importante ressaltar que a educação deve ser um direito acessível a todos, independente das condições pessoais ou médicas. O nome da escola não foi revelado pelo MP, mas o caso já levanta discussões sobre a responsabilidade de instituições de ensino em se adaptarem às necessidades de todos os alunos.

Essa história nos faz refletir sobre a importância da inclusão e do respeito às diferenças nas escolas. Cada criança tem suas particularidades, e é dever das instituições de ensino criar um ambiente que favoreça o aprendizado e o desenvolvimento de todos, sem exceção. Esperamos que, com a intervenção do MP, esse menino possa retornar à escola e ter a oportunidade de aprender em um ambiente adequado, onde suas necessidades sejam respeitadas e atendidas.



Recomendamos