A perícia finalmente trouxe uma resposta dura e definitiva para um caso que vinha tirando o sono de muita gente em Goiás. O corpo da corretora Daiane Alves dos Santos, que estava desaparecida há mais de 40 dias, foi encontrado e os exames confirmaram o pior: ela foi morta com um tiro na cabeça. Um desfecho trágico para uma história que começou de forma banal, quase rotineira, e terminou em crime.
Daiane sumiu depois de entrar no elevador do prédio onde morava. Um detalhe simples, mas que acabou virando a última imagem registrada dela com vida. Quando o corpo foi localizado, já estava em avançado estado de decomposição, o que dificultou bastante o trabalho das equipes. Para confirmar que se tratava mesmo da corretora, os peritos precisaram recorrer à extração de material genético da arcada dentária, um procedimento comum nesses casos mais extremos, mas que sempre chama atenção pela gravidade da situação.
Antes mesmo do laudo oficial, o principal suspeito já havia confessado o crime. Trata-se do síndico do prédio, Cléber Rosa de Oliveira, que admitiu em depoimento ter usado uma arma de fogo para matar Daiane. Ele está preso. Além dele, o filho, Maicon Douglas de Oliveira, também acabou detido, acusado de tentar atrapalhar as investigações, segundo a polícia. A participação dele ainda está sendo apurada com mais cuidado.
A motivação do crime, de acordo com o próprio Cléber, teria sido uma sequência de desavenças entre ele e a corretora. Daiane havia se mudado recentemente para o edifício e passou a administrar seis apartamentos pertencentes à família do síndico. Antes disso, quem cuidava dos imóveis era o próprio Cléber. A mudança na gestão teria gerado atritos, discussões e um clima pesado no dia a dia do prédio. Aquela típica situação que começa pequena, mas vai crescendo sem que ninguém consiga frear.
No dia 17 de dezembro, Daiane foi vista pela última vez. Câmeras de segurança mostram a corretora entrando no elevador e descendo até o subsolo. Ela iria verificar um corte de energia em seu apartamento, algo simples, coisa de minutos. Mas ela nunca mais voltou. Um detalhe que marcou os investigadores foi o fato de, nas imagens, Daiane aparecer olhando diretamente para a câmera do elevador enquanto mexia no celular, como se estivesse registrando algo ou falando com alguém. Pouco tempo depois disso, segundo a polícia, ela foi assassinada.
O caso ganhou repercussão não só pela brutalidade, mas também pelo tempo que levou para uma resposta concreta aparecer. Foram semanas de buscas, boatos, angústia da família e muitas perguntas sem resposta. Em um país onde desaparecimentos acabam, muitas vezes, esquecidos, a pressão ajudou para que o caso não esfriasse. Lembra outros episódios recentes que também chocaram o Brasil, onde conflitos aparentemente comuns terminaram em tragédia.
Agora, com a confirmação da causa da morte e a confissão do principal suspeito, a investigação entra em uma nova fase. A polícia trabalha para entender todos os detalhes, se houve ajuda, se alguém mais sabia do crime ou tentou esconder provas. Para a família de Daiane, fica a dor irreparável e a sensação de que nada vai trazer ela de volta. Justiça pode até vir, mas o vazio fica. E fica mesmo.