O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, trouxe a público detalhes até então pouco conhecidos de uma reunião reservada que aconteceu no Palácio do Planalto, envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o dono do Banco Master, o banqueiro Daniel Vorcaro. O encontro ocorreu em dezembro de 2024 e, segundo Haddad, teve um clima direto, sem rodeios e com recados bem claros.
Em entrevista recente, Haddad contou que também estava presente na reunião o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Naquele momento, o caso envolvendo o Banco Master ainda circulava mais nos bastidores do mercado financeiro do que nos noticiários, com muitos boatos, versões desencontradas e pouca informação oficial.
Segundo o ministro, Lula foi bastante objetivo ao falar com o banqueiro. Nada de discurso longo ou conversa atravessada. “Olha, decisão sobre você é do Banco Central, técnica. Uma decisão técnica vai ser tomada. Se bem, bem, se mal, mal”, teria dito o presidente. A fala, conforme Haddad, foi baseada no relato de pessoas que acompanharam o encontro de perto.
A declaração de Lula chamou atenção justamente por reforçar uma postura que ele tem repetido desde o início do atual mandato: a de não interferir em decisões técnicas, especialmente quando envolvem órgãos reguladores, como o Banco Central. Haddad fez questão de frisar esse ponto durante a entrevista, quase como quem tenta afastar qualquer suspeita de proteção política.
Para o ministro da Fazenda, a reunião em si não teve nada de irregular. Ele explicou que, naquele período, ainda não havia provas concretas contra o Banco Master. Existiam apenas rumores no mercado financeiro, conversas de corredor e alertas informais. “Era tudo muito nebuloso ainda”, disse Haddad em tom mais informal, lembrando que encontros desse tipo fazem parte da rotina do governo.
Haddad aproveitou para elogiar a atuação de Gabriel Galípolo à frente do Banco Central. Segundo ele, assim que assumiu o cargo, Galípolo percebeu que estava lidando com um problema sério. “Ele viu que era grave, abriu os procedimentos internos, mandou investigar, e aí veio à tona uma fraude bilionária”, relatou o ministro, sem entrar em muitos detalhes técnicos.
O caso acabou sendo investigado dentro da chamada operação Compliance Zero, que apura uma tentativa de venda fraudulenta de cerca de R$ 12,7 bilhões em créditos falsos ao Banco de Brasília (BRB). Um valor que assusta e que, naturalmente, colocou o sistema financeiro em alerta máximo.
De acordo com as investigações, o esquema teria sido liderado pelo controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. A defesa do banqueiro, no entanto, nega qualquer irregularidade. Em nota divulgada à imprensa, os advogados afirmam que “Daniel Vorcaro reafirma sua inocência e confia no total esclarecimento dos fatos”, destacando que ele estaria colaborando com as autoridades.
Haddad encerrou o assunto reforçando que a orientação de Lula à equipe econômica sempre foi clara: cada um deve fazer seu trabalho com base em critérios técnicos, sem pressão política. “O presidente sempre disse pra gente: façam o trabalho de vocês”, afirmou o ministro, colocando um ponto final no relato sobre o encontro que, agora, ganha novos contornos no debate público.
O caso segue em apuração e deve ainda render novos capítulos, principalmente em um ano em que economia, credibilidade e transparência estão no centro das discussões no Brasil.