Chega triste notícia para Ratinho envolvendo caso de racismo; entenda

Na última quinta-feira, dia 29 de janeiro, rolou mais um capítulo de um processo que vem chamando atenção nos bastidores da TV brasileira. A bailarina Cintia Mello voltou a encarar a Justiça contra Carlos Roberto Massa, o Ratinho, apresentador veterano do SBT. A audiência faz parte da ação em que ela acusa o comunicador de racismo, por conta de um episódio exibido no programa dele em abril de 2024, que até hoje repercute nas redes e em rodas de conversa do meio artístico.

O caso corre na 26ª Vara Cível de São Paulo e está sob responsabilidade do juiz Renan Oliveira Zanetti. Segundo os autos, Cintia pede uma indenização de nada menos que R$ 2 milhões. O valor é alto, sim, mas segundo pessoas próximas à bailarina, a intenção não é só financeira, e sim simbólica. Ela quer que o episódio seja reconhecido como ofensivo e discriminatório, algo que, infelizmente, ainda é muito comum na televisão aberta.

De acordo com informações divulgadas pelo portal Metrópoles, nesta audiência foram ouvidas cinco testemunhas indicadas pela defesa de Cintia e outras três levadas pelo lado de Ratinho. Nenhuma das partes principais chegou a depor nessa fase, o que é até normal nesse tipo de processo. Agora, com o fim das oitivas, o processo entra na reta final, com a apresentação das alegações finais. Depois disso, caberá ao juiz analisar tudo com calma e dar sua decisão. Não existe um prazo exato, mas pode levar semanas, ou até meses.

A polêmica que originou toda essa confusão aconteceu diante das câmeras, em pleno palco do programa do SBT. Durante a atração, Ratinho comentou que a peruca de Cintia seria “a mais bonita”. A bailarina, visivelmente desconfortável, respondeu que não usava peruca e que aquele era seu cabelo natural, um black power assumido com orgulho. Até aí, já dava pra sentir um climão no ar, coisa que quem assiste TV ao vivo percebe fácil.

Mesmo após a explicação, o apresentador insistiu. Disse que teria visto um “piolho” na cabeça da dançarina, arrancando risadas de parte da plateia, mas também críticas quase imediatas nas redes sociais. Como se não bastasse, Ratinho pediu para que Milene Pavorô, assistente de palco e figura conhecida do programa, puxasse o cabelo de Cintia. Após o gesto, Milene confirmou que os fios eram naturais: “É dela mesmo”, afirmou, meio sem graça.

Na época, o episódio dividiu opiniões. Teve quem defendesse Ratinho dizendo que era “brincadeira”, algo comum no estilo do programa. Por outro lado, muita gente apontou o comentário como ofensivo e racista, reforçando estereótipos antigos e extremamente problemáticos. Em um momento em que o Brasil discute mais abertamente questões de racismo estrutural, casos assim ganham ainda mais peso. Basta lembrar episódios recentes envolvendo outras figuras públicas, que também acabaram na Justiça por falas feitas “no calor do momento”.

Cintia Mello, desde então, passou a falar mais abertamente sobre o impacto psicológico do ocorrido. Pessoas próximas relatam que ela ficou abalada, se sentiu exposta e desrespeitada. Não é só uma questão de TV, mas de dignidade, como ela mesma já deixou claro em entrevistas.

Agora, resta aguardar a decisão judicial. Independentemente do resultado, o caso já serve como mais um alerta sobre os limites do humor, especialmente quando ele toca em temas sensíveis. A televisão brasileira mudou, o público mudou, e talvez esteja mais do que na hora de alguns apresentadores perceberem isso, mesmo que seja pela via judicial.



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