O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reagiu com forte indignação após a divulgação de que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sofreu uma queda dentro da cela onde está detido na Superintendência da Polícia Federal. Segundo relatos, Bolsonaro caiu durante a madrugada, bateu a cabeça e só recebeu atendimento horas depois, quando sua esposa, Michelle Bolsonaro, chegou para a visita. Para Nikolas, o episódio é grave e revela algo ainda mais preocupante.
Em publicação nas redes sociais, o parlamentar não poupou palavras. Disse acreditar que há uma intenção clara por trás da situação. “O objetivo é claro: querem matar Bolsonaro”, escreveu. Para ele, mesmo preso e sem acesso às redes sociais, o ex-presidente continua sendo uma figura extremamente popular, inclusive mais do que o atual chefe do Executivo. Nikolas ainda pediu força e defendeu que os advogados insistam na chamada prisão humanitária, mesmo reconhecendo o que chamou de parcialidade da Justiça. “Não temos praticamente nenhum meio de ação para combatê-los”, lamentou.
Pouco depois, Michelle Bolsonaro também se manifestou. Em tom emocionado, relatou que o marido não estava bem. Segundo ela, durante a madrugada, enquanto dormia, Bolsonaro teria tido uma crise, caído e batido a cabeça em um móvel dentro do quarto. O problema, de acordo com Michelle, é que o local permanece fechado, o que teria atrasado o socorro. O atendimento só aconteceu quando os agentes foram chamá-lo para a visita dela. “Estou com o médico aguardando o delegado para saber como foram os primeiros socorros. Só Deus”, escreveu, demonstrando apreensão.
O médico Claudio Birolini, responsável por acompanhar clinicamente Bolsonaro, informou que o ex-presidente sofreu um traumatismo cranioencefálico (TCE) leve. Apesar de o diagnóstico indicar um quadro considerado menos grave do ponto de vista técnico, aliados e familiares afirmam que a situação não pode ser tratada com normalidade, principalmente levando em conta a idade, o histórico médico e o contexto da prisão.
Carlos Bolsonaro (PL-SC), ex-vereador e filho do ex-presidente, também falou sobre o episódio. Ele contou que, ao chegar à Polícia Federal para a visita, estranhou o fato de Michelle ainda não ter entrado. Foi então que soube que médicos estavam avaliando uma queda sofrida por seu pai. Após finalmente vê-lo, Carlos disse ter notado um hematoma no rosto e um ferimento no pé, que ainda sangrava.
Segundo ele, ao questionar o que havia acontecido, Bolsonaro aparentava estar bastante atordoado e mudou de assunto, o que chamou sua atenção. Mais tarde, Carlos conversou com Michelle, que estava visivelmente abalada. Foi nesse momento que souberam que a queda teria ocorrido após um possível pesadelo, durante a madrugada. Bolsonaro, no entanto, não conseguiu informar o horário exato nem como tudo aconteceu.
Ainda de acordo com Carlos, a Polícia Federal só percebeu que algo havia ocorrido pela manhã, quando destrancou a porta do quarto e encontrou Bolsonaro desorientado. Diante desse cenário, a família solicitou avaliações médicas, que foram realizadas. Mesmo assim, surgiu um novo obstáculo: para que Bolsonaro seja levado a um hospital, seria necessário que os advogados protocolassem uma petição junto ao Supremo Tribunal Federal.
O filho do ex-presidente destacou que horas já se passaram desde o ocorrido e que todos estão emocionalmente abalados. “Estamos agindo como podemos, agora imagina meu pai”, afirmou. O caso reacende o debate sobre as condições da detenção, o acesso rápido a atendimento médico e o tratamento dado a um ex-chefe de Estado. Entre aliados, cresce a pressão por explicações e por medidas que garantam a integridade física de Bolsonaro, enquanto o episódio segue repercutindo fortemente no cenário político nacional.