O nome de Luciano Huck, um dos apresentadores mais conhecidos da TV Globo, acabou entrando no radar de muita gente depois que vieram à tona as recentes polêmicas envolvendo o Banco Master. Até então, a relação entre o comunicador e a instituição passava quase despercebida pelo grande público, mas bastou o banco enfrentar turbulências para que detalhes dessa parceria começassem a surgir nos bastidores e, claro, ganhar espaço nas redes e em portais de notícia.
Tudo começou, oficialmente, em janeiro deste ano. Foi quando o Banco Master decidiu apostar pesado em visibilidade e fechou o patrocínio de um quadro do Domingão com Huck, batizado de “Willimpíadas”. O projeto, que tinha como foco divulgar o Will Bank, braço digital do Master, oferecia um prêmio chamativo: R$ 1 milhão. Não à toa, o investimento virou o maior gasto do banco com publicidade na TV brasileira até então, algo que chamou a atenção do mercado e de quem acompanha os números da mídia.
O formato do reality também ajudou a criar burburinho. O quadro envolvia clientes do Will Bank, que acumulavam pontos conforme realizavam transações financeiras no dia a dia. Pagava conta, fazia transferência, usava o cartão… tudo virava pontuação. Mais de 200 mil pessoas se inscreveram para participar, um número expressivo até para os padrões da TV aberta. O projeto foi desenvolvido pelo Banco Master em parceria com outras duas produtoras e misturava provas de raciocínio rápido, estratégia e até habilidade física. Ao longo de quatro programas, os participantes iam sendo eliminados, até chegar à grande final, disputada no palco do Domingão, com direito a clima de decisão.
Com o sucesso de audiência e a exposição massiva do aplicativo, a relação entre Luciano Huck e o Banco Master acabou avançando para algo maior. Segundo informações divulgadas pelo site DCM, o apresentador chegou a tentar comprar o Will Bank, ao lado da EB Capital. Nos bastidores, a conversa era de que Huck via potencial no banco digital, principalmente pelo crescimento rápido da base de usuários e pelo apelo junto ao público mais jovem, que já estava acostumado com fintechs e soluções online.
No entanto, o negócio não foi pra frente. No fim de novembro, a EB Capital decidiu desistir da compra, alegando que a operação envolvia um risco adicional considerável. A situação financeira do Banco Master pesou bastante nessa decisão. O Will Bank, por exemplo, enfrentava uma saída estimada em cerca de R$ 7 bilhões, o que acendeu um sinal de alerta. Diante desse cenário, o Banco Central acabou assumindo o controle da instituição, numa tentativa de reorganizar a casa e evitar problemas maiores.
Mesmo assim, o Banco Master não recuou da estratégia agressiva de marketing. Pelo contrário. Continuou investindo alto em contratos e mantendo presença constante na mídia, algo que, pra muitos analistas, parecia até contraditório diante das dificuldades financeiras. A parceria com a Globo, especialmente com o Domingão, acabou rendendo frutos visíveis: estimativas do mercado publicitário apontam que mais de 500 mil novos usuários baixaram o aplicativo do Will Bank durante e após a exibição do quadro.
No total, calcula-se que o investimento em marketing tenha ficado entre R$ 120 milhões e R$ 160 milhões, somando o patrocínio do programa e outras ações de divulgação. Um valor alto, sem dúvida, mas que mostra como o banco apostou tudo na visibilidade e na força de nomes populares, como o de Luciano Huck. Agora, com as polêmicas recentes, essa história vem sendo revisitada, e muita gente começa a olhar com outros olhos para uma parceria que, até pouco tempo atrás, parecia apenas mais uma jogada ousada de mercado.