A cantora Ivete Sangalo usou as redes sociais na última sexta-feira, dia 26 de dezembro, para fazer um desabafo que tocou fundo muita gente. Em poucas palavras, mas cheias de sentimento, a artista lamentou a morte de uma figura muito respeitada e querida, não só no meio religioso, mas também por quem valoriza a história e a ancestralidade do Brasil. A homenagem rapidamente ganhou repercussão e emocionou fãs, amigos e famosos.
Segundo Ivete, a despedida foi dedicada a uma mulher admirável, marcada pelo amor, pela força e por uma energia de paz que, segundo ela, não se apaga. A cantora fez questão de frisar que a luz dessa pessoa seguirá viva, mesmo após a partida. “Mãe Carmen. Uma mulher admirável, do amor, da força, de uma energia extraordinária de paz. Sua luz permanecerá viva. Siga em paz”, escreveu Ivete no feed do Instagram, numa mensagem simples, mas carregada de significado.
Nos comentários, a comoção foi imediata. Sabrina Sato deixou vários corações, demonstrando carinho e respeito pela homenagem. Boninho também se manifestou, publicando emojis de oração. Já Cynthia Sangalo, irmã de Ivete, fez um comentário que chamou atenção pela emoção: “Daquela boca só saiu amor, bondade, generosidade!”, escreveu, resumindo bem quem foi Mãe Carmen para quem conviveu mais de perto com ela.
A morte de Mãe Carmen de Oxaguian foi confirmada na madrugada da própria sexta-feira, 26. Ela era ialorixá e estava à frente do Ilé Ìyá Omi Àṣẹ Ìyámase, conhecido popularmente como Terreiro do Gantois, um dos mais tradicionais e importantes do país. Fundado em 1849, o Gantois carrega uma história profunda ligada ao Candomblé na Bahia e no Brasil. Mãe Carmen comandava os trabalhos do terreiro há mais de duas décadas, sempre com muito respeito às tradições.
De acordo com informações divulgadas pelo portal G1, Mãe Carmen estava internada há cerca de duas semanas no Hospital Português, em Salvador. Ela enfrentava complicações causadas por uma forte gripe, que acabou evoluindo e levando à sua morte. A notícia pegou muita gente de surpresa e causou grande tristeza na comunidade religiosa e cultural.
O Terreiro do Gantois divulgou uma nota oficial lamentando a perda. No texto, a associação destacou o profundo respeito e reverência à trajetória de Mãe Carmen, ressaltando seu papel como guardiã da ancestralidade e herdeira de uma linhagem que ajudou a construir a história do Candomblé na Bahia. A nota relembra que ela era filha direta de Mãe Menininha do Gantois, uma das figuras mais importantes da religião no Brasil.
Ainda segundo o comunicado, Mãe Carmen nasceu para o sagrado. Desde muito cedo, foi preparada nos fundamentos, ritos e saberes que sustentam uma nação. Sua infância já era marcada pela formação espiritual, e sua vida inteira foi dedicada à missão de cuidar do axé e da comunidade. Nada em sua trajetória foi acaso, mas sim legado, destino e desígnio dos Orixás.
Durante 23 anos à frente do Gantois, Mãe Carmen conduziu a Casa com amor, coragem e responsabilidade. Sua presença era sinônimo de cuidado, orientação e proteção. Ela foi farol em momentos difíceis, colo quando era preciso acolher e fortaleza na defesa da tradição. Com o apoio das filhas, deixou ainda netos e bisnetos, símbolos vivos da continuidade de sua história.
Sua partida, ocorrida numa sexta-feira, dia consagrado a Oxalá, carrega um simbolismo forte. Para muitos, é o reflexo de uma vida marcada pela serenidade, pela fé e pelo compromisso com o coletivo. Mesmo em silêncio, Mãe Carmen segue presente, na memória, na ancestralidade e no axé que ajudou a preservar.