Vídeo: Lula fala o que pensa sobre participação de Janja na COP30: “Nunca vi”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu em defesa do trabalho que a primeira-dama, Janja Lula da Silva, vem fazendo na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP30, que está rolando em Belém (PA) desde o dia 10 de novembro. Durante um discurso nesta quarta-feira (19/11), Lula quase fez um desabafo ao reforçar que não lembra “quantas vezes uma primeira-dama trabalhou tanto assim numa COP”. Foi um daqueles momentos em que ele olha para a plateia, dá aquela pausa dramática e solta o verbo.

Segundo o presidente, o empenho de Janja não tem nada a ver com favoritismo ou com o simples fato de ela ser sua esposa. Ele destacou que a participação dela foi uma designação oficial da própria presidência da COP, que teria solicitado que Janja percorresse o Brasil — e até outros países — para falar sobre a presença das mulheres no debate climático. “Ela não estava aqui porque era minha mulher”, repetiu Lula, fazendo questão de frisar cada palavra para ninguém fingir que não entendeu. “Ela tinha uma função, uma representação.”

Lula aproveitou o gancho para mandar um recado direto sobre o papel das mulheres na conferência. Disse que “mulheres não são objeto nessa COP” e defendeu o tratamento igualitário, lembrando que a pauta de gênero não pode ser tratada como algo secundário. Ele até usou uma expressão forte: “As mulheres não são cidadãs de segunda classe.” O comentário acabou circulando nas redes pouco depois, principalmente porque o tema já estava quente desde as discussões envolvendo políticas de proteção ambiental e inclusão social que voltaram ao centro do debate internacional em 2024.

A COP30, de modo geral, entrou agora naquele momento de tensão que todo mundo que acompanha essas conferências já conhece bem: a famosa “semana decisiva”. Depois de dias de passos bem curtos, muitas travas e algumas conversas que parecem ir pra frente mas dão dois passos pra trás, esta fase vai definir o nível real de ambição climática para 2030. Ou seja, agora é hora de parar de enrolar e decidir o que cada país realmente vai colocar na mesa.

Com a saída das equipes técnicas — que normalmente trabalham mergulhadas em métricas, planilhas e aquelas siglas que ninguém fora da COP entende direito — e a entrada dos negociadores políticos, a conferência entra numa fase mais quente. Esse é o momento em que cada vírgula vira disputa, cada promessa precisa ser ajustada, e qualquer palavra mal encaixada vira uma crise diplomática em potencial.

A volta de Lula a Belém nesta quarta deu um impulso inesperado às conversas. Nos bastidores, alguns observadores já comentavam que a presença dele poderia destravar os pontos mais engasgados. O discurso que ele fez, segundo fontes que circulam nos corredores da COP, foi visto como um movimento “de esforço conjunto para fortalecer a governança climática e o multilateralismo”, expressão que tem sido repetida por vários negociadores europeus e latino-americanos nos últimos dias.

Há também uma expectativa — ainda um pouco tímida — de que o Brasil use o peso político de Lula para puxar outros países a assumirem compromissos mais firmes. Nos últimos anos, especialmente depois dos eventos climáticos extremos de 2023 e 2024, como ondas de calor recorde na Europa e enchentes históricas no Rio Grande do Sul, o clima deixou de ser apenas pauta ambiental e virou pauta econômica, social e até de segurança.

Com tudo isso acontecendo ao mesmo tempo, o clima em Belém (o da conferência, não o do céu nublado que caiu por lá ontem) é de tensão, mas também de expectativa. Agora é esperar para ver se essa reta final vai realmente entregar o que promete.

Confira:



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