Lula pode oficializar indicação ao STF nesta quinta; entenda

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está nos últimos ajustes para bater o martelo e anunciar oficialmente o nome de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, como o escolhido para assumir a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal. A expectativa nos bastidores é de que Lula faça a confirmação já nesta quinta-feira (20/11), provavelmente antes de embarcar para São Paulo e, depois, para a África do Sul, onde participará do G20 ao lado de Fernando Haddad e Mauro Vieira.

A cadeira no STF está vazia desde o dia 18 de outubro, quando Barroso deixou o tribunal alegando motivos pessoais. Desde então, Messias vinha sendo apontado como o favorito — e não era segredo pra quase ninguém. Nos corredores da Esplanada, muita gente dizia que ele era praticamente “o nome que faltava”. Messias, além de ser uma figura próxima ao presidente, ganhou projeção dentro do governo por sua atuação discreta, mas firme, evitando polêmicas desnecessárias e mantendo bom trânsito político.

Disputa interna e articulações de bastidores

Mesmo assim, havia disputa interna. Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente do Senado e figura respeitada entre os parlamentares, também aparecia como uma possibilidade real. Ele tinha, inclusive, o apoio aberto do senador Davi Alcolumbre, que sempre exerce influência nessas discussões. Só que, após uma conversa reservada com Lula na última segunda-feira (17/11), Pacheco decidiu colocar um ponto final na especulação: o presidente já tinha escolhido Messias. Segundo relatos, Lula ainda falou sobre a chance de Pacheco concorrer ao governo de Minas em 2026, mas o senador deu a entender que pretende mesmo é encerrar sua vida pública quando seu mandato atual terminar.

O tempo das nomeações e o clima no Senado

Com essa indicação, Lula vai alcançar a marca de 11 nomeados para o Supremo ao longo de sua trajetória como presidente. E, somente neste terceiro mandato, Messias será o terceiro a ser indicado — atrás de Cristiano Zanin e Flávio Dino. Curiosamente, se o anúncio sair mesmo agora, Lula terá levado 33 dias para oficializar o nome, um tempo menor que o gasto nas duas escolhas anteriores, que foram bem mais demoradas e envolveram disputas internas e pressões públicas.

Mas, como todo indicado ao STF, Messias ainda vai enfrentar a sabatina no Senado. E o clima por lá não é dos mais tranquilos. Recentemente, a aprovação de Paulo Gonet como procurador-geral da República foi apertada e deixou marcas. Alguns senadores ainda estão sensíveis, outros querem marcar posição política e, claro, há sempre aqueles que aproveitam o momento para barganhar apoios e cargos. Mesmo assim, aliados do governo acreditam que Messias não deve enfrentar grandes dificuldades, já que tem perfil técnico e poucas arestas levantadas.

Se aprovado ainda este ano — como o Planalto espera — Jorge Messias, que tem apenas 45 anos, poderá permanecer no Supremo até 2055. Uma escolha que, na prática, influencia décadas da vida jurídica e política do país.

Enquanto isso, Lula segue rodando o mundo

E o presidente não para. Depois de participar da abertura do Salão do Automóvel em São Paulo, em um evento cheio de discursos sobre carro elétrico, transição energética e até um leve improviso que fez virar meme nas redes, Lula embarca para Joanesburgo. Lá, ele participa do G20, onde deve pressionar novamente por reformas no sistema financeiro internacional e por mais compromisso dos países ricos com o clima.

Na sequência, Lula segue para Moçambique numa visita oficial — algo simbólico dentro da política externa brasileira que tenta retomar laços históricos com países africanos. Ele retorna ao Brasil na terça-feira (25/11), já com mais uma indicação para o STF encaminhada e, possivelmente, com novas pautas para aquecer o noticiário político.



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