Nos bastidores do Supremo Tribunal Federal, o ministro Alexandre de Moraes estaria preparando o próximo passo no caso do ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação que circula entre jornalistas de Brasília é de que Moraes pretende enviar o ex-chefe do Planalto para uma cela especial no Complexo Penitenciário da Papuda. E não é qualquer cela, não. Segundo fontes próximas, o local já foi vistoriado e recebeu sinal verde do ministro: paredes brancas, ar-condicionado e até uma televisão para o ex-presidente acompanhar o noticiário — que, ironicamente, deve continuar falando dele.
O ambiente, de acordo com as informações que vazaram, foi adaptado exclusivamente para receber Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar em sua casa. Pessoas ligadas ao ex-presidente comentam, meio em tom de desabafo, que o STF deve determinar a transferência já na próxima semana, assim que os embargos declaratórios apresentados pela defesa forem rejeitados.
Ainda assim, a movimentação não deve durar muito tempo. Mesmo entre ministros próximos a Moraes, há quem diga que Bolsonaro ficará pouco tempo atrás das grades da Papuda. A expectativa é que o Supremo acabe atendendo a um novo pedido da defesa, solicitando o retorno da prisão domiciliar — dessa vez, com base em motivos de saúde.
O argumento, aliás, não é inédito. O ex-presidente Fernando Collor conseguiu o mesmo benefício em maio deste ano. Condenado a 8 anos e 10 meses de reclusão por corrupção, Collor alegou problemas médicos e conseguiu trocar a cela pelo conforto do lar. O caso virou precedente, e os advogados de Bolsonaro devem apostar nessa linha.
Vale lembrar que Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e mais quatro crimes. O resultado do julgamento dividiu o país, reacendendo discussões sobre o papel das Forças Armadas, a polarização política e até mesmo a interferência do Judiciário em questões eleitorais.
Atualmente, o ex-presidente segue em prisão domiciliar, usando tornozeleira eletrônica — um detalhe que ele mesmo chegou a ironizar em conversas com apoiadores, dizendo que “nem nos piores pesadelos” imaginaria algo assim. A restrição foi imposta após o descumprimento de medidas cautelares ligadas a outro inquérito, este que apura possível coação no curso do processo.
Esse inquérito, vale destacar, foi aberto por determinação do próprio Moraes, depois que o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, teria articulado sanções contra autoridades brasileiras junto ao governo dos Estados Unidos. A atitude pegou mal até entre aliados mais moderados e acendeu um alerta no STF, que viu o movimento como uma tentativa de pressionar o sistema judiciário.
Nos corredores da política, há quem diga que Moraes quer enviar uma mensagem com essa decisão: a de que ninguém está acima da lei, nem mesmo quem já ocupou a cadeira mais poderosa do país. Por outro lado, apoiadores do ex-presidente afirmam que tudo não passa de perseguição política, e que o ambiente “climatizado” da cela seria apenas uma forma de disfarçar o constrangimento público.
Enquanto isso, nas redes sociais, o assunto ferve. Grupos bolsonaristas já preparam manifestações em frente à Papuda, caso a transferência realmente aconteça. Alguns falam em “vigília pela liberdade”, outros prometem acampar na porta do presídio com bandeiras do Brasil e faixas pedindo anistia.
A novela, como tudo que envolve Bolsonaro, está longe de acabar. Nos próximos dias, o Supremo deve bater o martelo. E, se depender do ministro Moraes, o ex-presidente pode trocar a sala de estar pela cela com paredes brancas — ainda que com ar-condicionado.