À CNN, cantor Pinduca fala sobre cultura paraense

Pinduca: O Legado do Carimbó e a Música Paraense em Foco

No cenário musical brasileiro, poucos artistas têm uma história tão rica e inspiradora quanto a de Pinduca. Em uma entrevista ao programa CNN Novo Dia, o cantor, que está com 88 anos, compartilhou detalhes fascinantes sobre sua trajetória e a importância do Carimbó, um dos ritmos mais emblemáticos do estado do Pará. Para Pinduca, ser chamado de redescobridor do Carimbó não é apenas uma questão de orgulho, mas também uma reflexão sobre sua missão de levar a música paraense a novos públicos.

A Origem do Carimbó

O Carimbó, segundo Pinduca, tem suas raízes na cidade de Marapanim, onde tudo começou. O ritmo é fortemente associado à cultura local, e seu nome vem do tambor curimbó, que é feito de tora de madeira escavada e coberto com pele de veado. Este instrumento é tradicionalmente utilizado em celebrações e festas, e sua presença é marcante na identidade dos paraenses.

Pinduca relembra que, em suas primeiras experiências musicais, o Carimbó não era bem aceito na capital, Belém. Ele precisava modernizar o estilo para conquistar o coração dos ouvintes. “Quando eu gravei meu primeiro LP pela gravadora Beverly Copacabana, foi uma grande oportunidade que eu tive. Antes, o Carimbó não entrava na capital, e eu trouxe isso para o público, mesmo enfrentando resistência”, revelou o artista.

Um Estilo Único

Um dos elementos mais marcantes da imagem de Pinduca é seu tradicional chapéu, que é ornamentado com elementos da cultura paraense, como a cuia do tacacá e o boto cor-de-rosa. Ele conta que esse chapéu, que recebeu de um amigo e customizou com artesanato local, se tornou sua marca registrada. “É uma forma de representar a minha terra e a nossa cultura”, disse Pinduca, enfatizando a importância de carregar as tradições em sua imagem.

Reconhecimento Internacional

Além de ser um ícone do Carimbó, Pinduca também é reconhecido como um dos criadores da Lambada, outro ritmo que, assim como o Carimbó, tem forte ligação com o estado do Pará. Ele celebra o reconhecimento internacional que a música paraense vem conquistando ao longo dos anos. “Diversos artistas, até mesmo os que cantam brega, incorporam o Carimbó em seus repertórios. Isso mostra que a nossa cultura está viva e é valorizada”, disse ele com entusiasmo.

Composições que Marcam Gerações

O legado de Pinduca na música paraense não se limita apenas à criação de ritmos. Suas composições, como Sinha Pureza e Marcha do Vestibular, tornaram-se clássicos e são reconhecidas por várias gerações. “A Marcha do Vestibular, por exemplo, se tornou um hino para os estudantes aprovados nas universidades. É uma sensação incrível ver a alegria deles quando conseguem passar e cantam a minha música”, ele compartilha, demonstrando seu amor pela conexão que cria com o público.

Uma Reflexão Sobre a Música e a Cultura

Pinduca não apenas homenageia suas raízes, mas também reflete sobre o papel da música na sociedade. Em tempos de mudanças culturais, ele acredita que é fundamental que os jovens conheçam e valorizem suas tradições. “A música é uma forma de resistência. Precisamos lembrar de onde viemos e celebrar isso”, afirmou.

Conclusão

A história de Pinduca é um testemunho da riqueza da música paraense e da importância de se manter as tradições vivas. Com sua paixão pelo Carimbó e sua habilidade de se adaptar aos tempos modernos, ele continua a inspirar novas gerações de músicos e amantes da cultura brasileira. E assim, o legado de Pinduca e do Carimbó permanece firme e forte, ressoando na alma do povo paraense.

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