Alexandre de Moraes fez grave ameaça a Elon Musk; entenda

A jornalista Elisa Robson voltou a chamar atenção nos últimos dias ao afirmar que foi vítima de bloqueios, censura e até de interrogatórios que, segundo ela, teriam sido determinados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O motivo? Suas reportagens que tratavam das supostas conexões entre redes de narcotráfico, ditaduras latino-americanas e organizações criminosas no Brasil. Desde 2023, Elisa vive nos Estados Unidos, para onde se mudou após alegar perseguição política.

De acordo com o relato da própria jornalista, teria havido uma decisão judicial que impunha uma multa diária ao empresário Elon Musk, dono da plataforma X (antigo Twitter), caso o perfil dela continuasse disponível para os usuários brasileiros.

“O Alexandre de Moraes ameaçou o Elon Musk com multa diária de 20 mil dólares se o meu perfil permanecesse acessível no Brasil. Então, basicamente, era isso: ou eu era silenciada, ou ele pagava uma fortuna. É uma violência sem tamanho contra o trabalho de uma jornalista. Uma agressão grave, de verdade”, afirmou Elisa em entrevista ao Pleno Time, na última quarta-feira (29).

A fala dela gerou grande repercussão entre apoiadores da liberdade de imprensa, que consideram o episódio um exemplo claro de censura judicial. Em redes sociais, vários perfis passaram a usar a hashtag #LiberdadeParaElisa, que ficou entre os assuntos mais comentados do X na manhã seguinte.

Elisa diz que o caso não é isolado e que há um “quebra-cabeça em formação” envolvendo investigações internacionais e possíveis sanções vindas do governo dos Estados Unidos. Segundo ela, há indícios de que parte das ações de censura no Brasil possa entrar no radar de instituições norte-americanas que monitoram violações de direitos civis e liberdade de imprensa.

A jornalista também questionou o motivo do suposto interesse do ministro Moraes em restringir seu conteúdo. “O que há por trás disso tudo? Por que tanto empenho em me calar?”, perguntou durante a entrevista, visivelmente indignada.

O caso acontece num momento em que a relação entre Elon Musk e o Supremo brasileiro vive um dos seus pontos mais tensos. Desde abril, o bilionário e Moraes trocam farpas públicas, especialmente depois que Musk acusou o magistrado de praticar censura e ameaçou liberar novamente contas bloqueadas no Brasil. Na ocasião, Moraes determinou uma investigação sobre o empresário e chegou a ser chamado de “ditador” por apoiadores de Musk — o que só ampliou o conflito.

Elisa, que mantém um canal independente voltado a reportagens sobre política e segurança internacional, afirma que não pretende recuar. “Eu não me mudei pros Estados Unidos pra fugir. Vim pra continuar trabalhando, pra poder falar sem medo”, disse.

Apesar da gravidade das acusações, o STF ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso relatado pela jornalista. Procurado por alguns veículos de imprensa, o gabinete de Moraes preferiu não comentar o assunto.

Nos bastidores, analistas enxergam o episódio como parte de um embate maior entre liberdade de expressão e controle judicial sobre conteúdos digitais, tema que tem ganhado força principalmente depois das eleições e do aumento das fake news no país.

Enquanto isso, Elisa Robson segue publicando suas investigações do exterior, mas afirma que sua audiência brasileira vem diminuindo por causa das restrições impostas. “É triste ver o Brasil assim, com jornalistas sendo calados. Mas eu não vou parar”, concluiu.

A história ainda promete render desdobramentos — tanto na esfera jurídica quanto política — e reacende um debate antigo, mas que nunca sai de pauta: até onde vai o poder da Justiça sobre a liberdade de expressão?



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