Lula quebra protocolo e fala sobre conversa com Trump: “Não rolou um clima”

Durante o evento em homenagem ao Dia dos Professores, realizado nesta quarta-feira (15) no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou o clima descontraído para fazer uma brincadeira sobre sua recente conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Entre risos, Lula comentou que “não pintou química, pintou uma indústria petroquímica”, arrancando gargalhadas da plateia.

“Quando fui falar com o Trump, eu nem conhecia ele direito. A gente estava meio de mal, sabe? Teve uma química meio forçada lá na ONU, coisa de 29 segundos. Depois ele me ligou, e eu disse que queria conversar com calma, sem toda aquela liturgia”, contou o presidente, lembrando o encontro com o líder americano de forma bem-humorada.

Logo em seguida, Lula completou: “Mas, olha, não pintou química nenhuma, viu? Pintou mesmo foi uma indústria petroquímica. Amanhã ainda vamos ter outra conversa, mas dessa vez é de negociação”.

Apesar da brincadeira, o petista não deu detalhes sobre com quem exatamente seria esse novo diálogo. Nos bastidores, porém, a expectativa é que ele estivesse se referindo à reunião que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, deve ter nesta quinta-feira (16) com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.

Enquanto os dois chefes de Estado trocam farpas bem-humoradas, as equipes técnicas dos dois países já se encontraram nesta quarta-feira (15) para uma rodada preliminar de conversas. Essa etapa é considerada o primeiro “filtro” das negociações em torno do chamado tarifaço — o pacote de taxações que o governo americano vem aplicando sobre produtos brasileiros, gerando tensão comercial entre Brasília e Washington.

A grande incógnita agora é saber o que exatamente os Estados Unidos vão colocar na mesa de negociações. Há quem diga que o foco será puramente econômico — ou seja, questões relacionadas às tarifas impostas pelo governo Trump e possíveis acordos sobre trocas de bens e serviços. Outros acreditam que o debate pode ir além, incluindo também temas políticos e até possíveis sanções a autoridades brasileiras.

Nos últimos dias, o clima entre os dois países tem oscilado. De um lado, o Planalto tenta manter um tom diplomático, apostando no diálogo e na reaproximação com os americanos. Do outro, o governo Trump tem endurecido o discurso, especialmente em relação às exportações agrícolas e à indústria automotiva brasileira, setores diretamente afetados pelo aumento de tarifas.

Durante o evento no Rio, Lula também aproveitou para falar sobre a importância dos professores e da educação como base do desenvolvimento nacional, mas a piada sobre Trump acabou roubando a cena. Vários presentes comentaram nas redes sociais o bom humor do presidente, que tem usado esse tipo de ironia como marca de seu estilo de comunicação mais popular e direto.

“Tem gente que leva tudo a ferro e fogo, mas política também precisa de leveza”, disse Lula a apoiadores após o evento, reforçando que o Brasil “quer conversar com todo mundo, mas sem abaixar a cabeça pra ninguém”.

A frase, embora dita em tom descontraído, reflete bem a estratégia do governo: manter o diálogo aberto com as grandes potências, sem perder o tom de independência que Lula tem tentado imprimir à política externa desde o início do seu terceiro mandato.

Por enquanto, o que se espera da conversa entre Mauro Vieira e Marco Rubio é um sinal claro sobre como será o futuro dessa relação. Se vai “pintar química” diplomática de verdade ou se, como brincou Lula, o que vai sobrar mesmo é mais “indústria petroquímica”.

De um jeito ou de outro, o episódio mostra que o presidente continua fiel ao seu estilo: mistura de política com humor, seriedade com improviso, e aquele toque de sarcasmo que o público brasileiro já conhece bem.



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