Irmã relembra morte precoce de atriz de A Viagem aos 24 anos e faz revelação chocante

A atriz Chris Pitsch, lembrada pelo público por dar vida à divertida Bárbara, na reprise de A Viagem (1994), que está passando de novo no Vale a Pena Ver de Novo, teve uma trajetória curta, quase um sopro na TV brasileira. Ela participou de apenas uma novela e, tragicamente, morreu aos 24 anos, em 1995, vítima de um infarto — só um ano depois de encerrar seu primeiro e único trabalho na telinha. Nesta quarta, 8, a irmã dela, Lubianca Pagliuca Cavedini dos Santos, que hoje trabalha como personal trainer, relembrou a perda em uma entrevista ao jornal O Globo.

Chris já havia sido diagnosticada desde os 14 anos com uma cardiopatia congênita, uma malformação no coração presente desde o nascimento. No dia da tragédia, ela estava em casa, sozinha, em Botafogo, Zona Sul do Rio — o bairro que respira arte e boemia até hoje —, quando começou a passar mal. O pai, Allex, tinha ido ao mercado junto com o namorado dela, Beto Pitsch, com quem ela tinha se mudado há pouco tempo. Quando os dois voltaram, encontraram Chris caída, desacordada.

“O mais curioso dessa história”, contou Lubianca, “é que o pai, a mãe e o padrasto, que moravam em São Paulo, estavam todos no Rio naquele dia.” Como se o destino tivesse armado uma despedida silenciosa.

Na conversa, Lubianca também fez questão de lembrar o jeito da irmã: “A Chris era muito alegre, piadista, tinha uma energia boa, gostava de viver mesmo. Era ligada à cultura, amava teatro e cinema, e desde pequena mostrava talento pra atuar. Fazia peças pros pais assistirem, inventava roteiros, cenas, essas coisas de criança criativa.” Ela ri ao recordar: “Teve uma vez que foi pra Disney e voltou com um monte de apetrecho, tipo sangue falso e dentadura de vampiro… fazia o maior sucesso nas brincadeiras.”

Apesar de não serem irmãs de sangue, as duas cresceram próximas e criaram uma relação forte. O pai de Lubianca, José Camilo, se casou com Lindaura, mãe de Chris. Cada um já tinha dois filhos, e depois ainda vieram mais quatro, o que formou uma daquelas famílias grandes, meio caóticas, mas cheias de amor e confusão boa.

A curta carreira e o talento precoce

Nascida em São Paulo, no dia 5 de agosto de 1971, Christiane Pagliuca Tedd adotou o sobrenome do namorado e passou a assinar Chris Pitsch, nome artístico que acabou virando sua marca. Desde muito nova ela já mostrava vocação pra arte. Aos sete anos, já fazia ballet e participava de peças de teatro — uma daquelas crianças que parecem ter nascido pra estar sob os holofotes.

Antes de aparecer na TV, Chris brilhou nos palcos com montagens como Pássaro de Fogo e Draculinha. Foi justamente nessa última que chamou a atenção da escritora Solange Neves, que a indicou pra integrar o elenco da nova versão de A Viagem. A oportunidade caiu do céu — mas veio acompanhada de um desafio: mudar-se às pressas pra o Rio de Janeiro, enfrentar o ritmo puxado das gravações e ainda lidar com a saúde frágil.

Mesmo assim, Chris mergulhou de cabeça. Quem conviveu com ela conta que era disciplinada, apaixonada pelo que fazia, e que vivia sonhando com novos papéis, quem sabe até no cinema.

Hoje, trinta anos depois, a reprise de A Viagem reacende a lembrança daquela atriz de olhar doce e sorriso largo, que partiu cedo demais. Nas redes sociais, fãs da novela têm comentado suas cenas e relembrado com carinho o que poderia ter sido uma grande carreira.

E, de certo modo, é como se Chris voltasse a viver — mesmo que só por alguns minutos, na tela da TV, onde o tempo, curioso como ele é, parece sempre parar um pouquinho pra lembrar de quem foi inesquecível.



Recomendamos