O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), recebeu o portal Pleno.News na sede do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), em Belo Horizonte, pra uma entrevista exclusiva que deu o que falar. Durante a conversa, Zema não poupou críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu uma anistia ampla, geral e irrestrita, e chegou a afirmar que o Brasil, hoje, “vive uma espécie de ditadura disfarçada”.
A polêmica do timing da pré-candidatura
Zema comentou também as críticas que recebeu ao lançar sua pré-candidatura à Presidência da República, num momento que parte da direita considerou inoportuno — afinal, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) enfrentava forte pressão do STF e, pra piorar, passava por um momento delicado de saúde.
“Uns dez dias antes do lançamento da minha pré-candidatura, eu fui a Brasília, encontrei o Bolsonaro pessoalmente no escritório do PL, pra conversar e avisar ele antes de qualquer um. Ele foi o primeiro a saber”, contou. Segundo Zema, Bolsonaro o incentivou: “Vá em frente, e quanto mais candidatos a direita tiver, melhor”, teria dito o ex-presidente.
O governador garante que teve o aval direto de Bolsonaro e acredita que as críticas vieram de um “mal-entendido”. “Acho que foi isso mesmo, um mal-entendido. Porque aconteceu bem no momento em que ele tava sendo investigado e também passando por dor familiar. Mas ele foi avisado, sim, e deu o ok. Talvez os filhos não tenham se inteirado da conversa que tive com ele.”
Zema x Alexandre de Moraes
O governador mineiro foi duro ao comentar a postura do ministro Alexandre de Moraes, afirmando que o magistrado vem agindo de forma “arbitrária” e “contrária aos princípios básicos da Justiça”.
“Ele tem adotado uma postura totalmente arbitrária. Em determinados processos, ele é réu, investiga, relata, decide e julga. É difícil aceitar isso, né? O básico da Justiça é o juiz se declarar suspeito quando tem algum envolvimento. Isso não tem acontecido no Brasil”, criticou.
O “golpe” de 8 de janeiro
Zema ironizou a narrativa de que houve tentativa de golpe de Estado no dia 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram prédios dos Três Poderes, em Brasília.
“O Brasil pode se dar ao luxo — ou à vergonha — de ter sido o único país do mundo com uma tentativa de golpe sem uso de armas, só com batom e celular na mão. Quando se fala em golpe, a gente imagina tanques, exército marchando, rebeldes armados… Aqui, chamaram de golpe uma manifestação. E ainda aplicaram penas descabidas! Hoje tem assassino com pena menor do que gente que só tava lá protestando, sem ferir ninguém. São dois pesos e duas medidas.”
STF e política: mistura perigosa
Pra Zema, o STF tem sido usado como ferramenta de perseguição política. “É muito ruim quando o Judiciário começa a fazer política. Em outros países, juiz nem aparece na imprensa, não dá entrevista, não comenta caso. Aqui virou o contrário: ministro querendo protagonismo”, disparou.
O governador também reclamou da desordem institucional que, segundo ele, enfraquece o país: “O Legislativo existe pra traçar o futuro, o Executivo pra executar no presente, e o Judiciário pra julgar o que já passou. Mas aqui virou uma bagunça. O Judiciário tá legislando, criando regras e interferindo onde não devia. Isso gera um governo disfuncional e cheio de ruído.”
No fim da conversa, Zema reforçou sua visão de que o Brasil precisa reencontrar o equilíbrio entre os Poderes e recuperar o respeito às instituições — mas sem que uma delas, “principalmente o Supremo”, tente governar no lugar das outras.