Depois de semanas de burburinhos e trocas de farpas dentro da própria direita, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), resolveu colocar um ponto final nas especulações: não será candidato à Presidência em 2026. A decisão pegou de surpresa até os aliados mais próximos, que apostavam nele como a principal aposta da direita moderada. Mas, nos bastidores, Tarcísio já vinha demonstrando certo cansaço com a política nacional — e, segundo fontes, um certo desânimo com a ideia de enfrentar Luiz Inácio Lula da Silva nas urnas. Ele teria confidenciado que “a direita está desunida demais”, e que talvez fosse hora de apoiar outro nome do campo conservador: Ratinho Júnior, o governador do Paraná, do PSD.
A leitura política é direta: Tarcísio percebeu o óbvio, que bater de frente com Lula agora é suicídio político. O presidente ainda mantém índices estáveis de aprovação, o que, somado à fragmentação da direita, tornaria quase impossível qualquer vitória fora do campo petista.
A desistência, embora esperada por alguns analistas, mexeu com o cenário político. Durante meses, Tarcísio alimentou discretamente sua pré-candidatura, tentando se equilibrar entre o bolsonarismo raiz e um discurso mais palatável ao eleitorado urbano de São Paulo. Mas essa corda bamba acabou arrebentando. Seu discurso mais agressivo, as bravatas contra o STF e a tentativa de imitar o estilo explosivo de Jair Bolsonaro só pioraram sua imagem entre os moderados — e, ironicamente, nem agradaram completamente a ala radical.
Fontes próximas relatam que o governador paulista foi perdendo espaço dentro do próprio bolsonarismo. A relação com Eduardo Bolsonaro azedou, principalmente após as polêmicas da PEC da Blindagem e da proposta de anistia a apoiadores envolvidos no 8 de Janeiro. O clima de desconfiança e as disputas internas deixaram Tarcísio num limbo político: nem mais o “pupilo fiel” do ex-presidente, nem uma alternativa independente.
Com isso, a bola da vez parece ser mesmo Ratinho Júnior. O governador do Paraná vem sendo sondado por lideranças do centrão e tem conseguido se posicionar como um nome “de direita, mas sem o radicalismo bolsonarista”. A proximidade com Gilberto Kassab, o todo-poderoso do PSD e articulador experiente, também pesa a favor. Há quem diga que Kassab já esteja costurando apoios em Brasília, inclusive com setores do empresariado paulista, para testar a viabilidade do nome de Ratinho como uma alternativa “limpa” e, digamos, mais civilizada.
Nos bastidores, Tarcísio teria sinalizado simpatia pela ideia, embora ainda não tenha declarado nada publicamente. Segundo aliados, ele estaria disposto a apoiar Ratinho caso o movimento se consolide — mas tudo dependerá, claro, da bênção de Jair Bolsonaro. Sem o aval do ex-presidente, qualquer aliança à direita tende a naufragar antes mesmo de zarpar.
O curioso é que, enquanto Tarcísio tenta se preservar para disputar a reeleição em São Paulo, o ambiente político nacional segue um verdadeiro tabuleiro de xadrez. O bolsonarismo enfrenta divisões internas, com Michelle Bolsonaro flertando com um papel mais ativo e figuras como Romeu Zema (Novo) ainda tentando entender se há espaço para novas lideranças.
Analistas ouvidos por jornais de grande circulação — como a Folha e o Estadão — já afirmam que o recuo de Tarcísio é um sinal de maturidade política. Outros, mais céticos, dizem que é apenas medo de perder. De qualquer forma, o movimento muda o jogo da direita e abre espaço para novas negociações que, nos próximos meses, devem dominar as conversas de bastidor.
No fim das contas, Tarcísio talvez tenha feito o que muitos políticos relutam em fazer: reconhecer a hora certa de ficar no seu quadrado. Afinal, entre desafiar Lula e tentar sobreviver politicamente em São Paulo, ele parece ter escolhido o caminho mais seguro — e, quem sabe, o mais esperto.