O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, voltou a movimentar o debate político ao afirmar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será derrotado nas eleições de 2026. Segundo ele, o “lulismo será varrido do Brasil” já no próximo ano, numa espécie de previsão carregada de confiança e provocação aos adversários.
As declarações foram feitas em uma publicação na rede social X, o antigo Twitter, espaço onde os políticos hoje em dia travam uma boa parte das suas batalhas narrativas. Na postagem, Flávio escreveu: “Graças a Deus a eleição de 2026 está chegando. Vamos varrer o lulismo com a liderança do presidente Jair Bolsonaro”. O comentário rapidamente gerou reação tanto de apoiadores quanto de críticos, mostrando que o clima eleitoral, mesmo a dois anos de distância, já começa a se aquecer.
Além da frase de impacto, o senador divulgou também um vídeo que reunia títulos de reportagens recentes. As manchetes falavam sobre o avanço da degradação da Amazônia Legal, o aumento do déficit nominal em julho — quando somados os últimos 12 meses — e até a alta do preço do ovo no primeiro semestre de 2025. A escolha dos temas não foi por acaso: a intenção clara é reforçar a ideia de que o governo atual estaria falhando em pontos sensíveis para o bolso do cidadão e também na pauta ambiental, que tanto repercute no exterior.
Num segundo vídeo publicado na mesma rede, Flávio elevou ainda mais o tom. Ele escreveu que “o maior líder da direita, a pessoa que poderia estancar essa sangria, segue preso e censurado sem ter cometido crime algum”. A frase é uma referência direta ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que enfrenta uma série de processos e restrições judiciais desde que deixou o cargo.
Esse tipo de posicionamento reflete uma estratégia bem conhecida do bolsonarismo: manter viva a narrativa de perseguição contra seu principal líder político. É uma cartada que, goste-se ou não, funciona bem com sua base de apoiadores, que seguem fiéis e mobilizados mesmo após os reveses enfrentados nos últimos anos.
Vale lembrar que, enquanto isso, Lula tenta consolidar seu governo em meio a pressões econômicas e políticas. A inflação, embora sob algum controle, ainda pesa em itens básicos do consumo. A gasolina oscilou bastante ao longo de 2025 e o preço dos alimentos segue sendo motivo de queixa em feiras e supermercados. Se para parte da população a gestão atual está entregando algum alívio, para outra parcela ela parece insuficiente diante das expectativas criadas durante a campanha.
Em paralelo, o cenário internacional também interfere. A pressão da União Europeia sobre a preservação da Amazônia e as negociações do acordo Mercosul-UE são constantemente citadas por jornais e analistas como desafios que podem impactar diretamente a imagem do governo. É nesse contexto que frases como a de Flávio encontram espaço para repercutir.
É inegável que a fala dele não foi apenas um desabafo, mas sim um aceno direto ao eleitorado que já começa a se preparar para a disputa de 2026. Apesar de a eleição ainda parecer distante, a política brasileira não dá trégua. Cada declaração é medida, interpretada e usada como munição no embate diário que se tornou o debate público no país.
No fim das contas, a aposta de Flávio Bolsonaro é simples: manter o lulismo como inimigo comum e, ao mesmo tempo, posicionar o pai, Jair Bolsonaro, como a figura capaz de liderar a direita novamente. Se essa estratégia vai dar certo, só o tempo vai dizer. Mas uma coisa é fato: o jogo já começou, e os próximos capítulos prometem ser intensos.
Confira:
Graças a Deus a eleição de 2026 está chegando. Vamos varrer o lulismo com a liderança do presidente @jairbolsonaro pic.twitter.com/PdFniLawUv
— Flavio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) September 30, 2025