Na segunda-feira (29), o advogado Martin De Luca, conhecido por representar a Trump Media e também a plataforma Rumble aqui no Brasil, resolveu usar as redes sociais para disparar críticas contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A fala não passou despercebida, principalmente porque Moraes, que agora ocupa o cargo de vice-presidente da Suprema Corte, determinou um prazo de 15 dias para que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o jornalista Paulo Figueiredo apresentem suas defesas no processo em que a Procuradoria-Geral da República os acusa de coação.
O despacho de Moraes trouxe detalhes que chamaram atenção: ele determinou que Eduardo Bolsonaro fosse notificado via edital, já que mora nos Estados Unidos, e que Paulo Figueiredo recebesse o aviso através de carta rogatória. Segundo o próprio ministro, o parlamentar estaria dificultando de propósito o recebimento da notificação judicial.
Foi aí que Martin De Luca entrou em cena. Em tom crítico e até irônico, ele disse nas redes: “Alexandre de Moraes está reclamando que Eduardo Bolsonaro estaria fugindo de um processo criminal aberto contra ele por discurso em solo americano. O problema é que o próprio Moraes vem se esquivando do processo do Rumble contra ele, que corre há mais de sete meses na Flórida. Isso sim é incrível.”
A fala rapidamente repercutiu em grupos políticos e perfis de opinião, justamente porque toca num ponto delicado: a atuação internacional do ministro. Para completar, o advogado acusou Moraes de estar pressionando o Superior Tribunal de Justiça (STJ) para evitar que o pedido de citação, feito nos Estados Unidos, siga adiante. “Até hoje Moraes continua se esquivando da citação. A mais recente notícia é que ele pressiona o STJ, que é justamente o tribunal que deveria autorizar essa citação, para não processar o pedido americano”, afirmou De Luca.
Esse embate ganha ainda mais peso porque acontece em um momento de tensão política no Brasil. O STF tem tomado decisões duras em relação a figuras ligadas ao bolsonarismo, e a crítica de De Luca acabou funcionando como combustível para a narrativa de perseguição política, algo constantemente repetido por apoiadores do ex-presidente. Vale lembrar que, nas últimas semanas, Moraes já havia sido alvo de manifestações de rua, algumas delas até pedindo sua saída do cargo.
Além disso, o caso do Rumble nos EUA não é pequeno. A plataforma, que ficou famosa como alternativa ao YouTube com foco em “liberdade de expressão”, entrou em atrito com decisões brasileiras que pediam remoção de conteúdos. Esse choque de interpretações — liberdade versus regulação — vem sendo discutido não apenas nos tribunais, mas também no Congresso. Inclusive, em Brasília, voltou à pauta a ideia de um marco regulatório das redes sociais, tema que esquenta ainda mais quando figuras como Moraes ou Eduardo Bolsonaro estão envolvidos.
Outro detalhe que chama atenção é o tom internacional da disputa. Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo vivem nos EUA, e agora é justamente nesse mesmo território que Moraes enfrenta uma batalha judicial ligada ao Rumble. Isso acaba reforçando um cenário quase de “espelho”: de um lado, ele acusa o deputado de dificultar notificações, do outro, é acusado de agir da mesma forma na Justiça americana.
Na prática, o caso ainda deve se arrastar. O prazo dado por Moraes para Eduardo e Figueiredo responderem termina em meados de outubro, mas até lá é quase certo que novos capítulos vão surgir. A fala de Martin De Luca já deixou claro que os advogados ligados ao Rumble pretendem usar as redes sociais como palco de pressão, tentando trazer a opinião pública para o centro da disputa.
E convenhamos, em ano pré-eleitoral, qualquer movimento envolvendo STF, bolsonaristas e mídia internacional vira munição política. Basta ver como esse tipo de discussão rende nas timelines do X (antigo Twitter) e no próprio YouTube, onde comentaristas políticos de todos os lados aproveitam para reforçar suas narrativas.
Se vai dar em algo concreto, ainda é cedo para dizer. Mas o que fica claro é que Alexandre de Moraes segue sendo uma das figuras mais controversas do cenário nacional, seja dentro dos tribunais ou fora deles. E nesse xadrez político-jurídico, cada declaração vira uma peça que pode mudar o jogo.
