O Brasil e os 35 anos do CEERT

Reflexões sobre a Igualdade e os Desafios da Democracia no Brasil

Nesta última semana, eu tive uma experiência que me fez pensar muito sobre o nosso país. Participei de um evento muito significativo que comemorou os 35 anos do CEERT, que é o Centro de Estudos das Relações do Trabalho e Desigualdades. Esta é uma organização que se dedica a promover a inclusão e o desenvolvimento de pessoas negras no mercado de trabalho. No entanto, ao mesmo tempo, vi com muita preocupação a votação da PEC da Blindagem, o que me levou a refletir sobre os avanços e retrocessos que enfrentamos em relação à igualdade racial e à política nacional.

O CEERT e a Luta Contra o Racismo

A criação do CEERT foi um marco essencial na luta contra o racismo no Brasil. Tive a honra de contribuir para a primeira publicação da organização, intitulada “Palavras de um trabalhador negro”. O CEERT foi fundado pela psicóloga Cida Bento e um grupo de amigos que estavam comprometidos com a causa da igualdade racial, em um momento muito delicado da nossa história. Era um período que mal tinha passado uma década desde o fim do regime militar, e estávamos começando a nos ajustar a uma nova Constituição, que, em um de seus artigos, afirmava que o racismo é um crime inafiançável.

Essa Constituição também trouxe outras leis importantes, como a de cotas, a obrigatoriedade do ensino da história da África e seus descendentes, e a criação de feriados nacionais. Ao longo desses 35 anos, conseguimos avançar consideravelmente na questão racial, e todos nós que contribuímos para essa luta devemos nos orgulhar. Contudo, não podemos ignorar os números alarmantes sobre a morte de jovens negros no Brasil, que muitos classificam como genocídio, além do desemprego e da falta de oportunidades que ainda persistem. Embora a população negra represente 56% do total, menos de 6% dos cargos de decisão nos grandes setores são ocupados por pessoas negras.

Desafios na Política Brasileira

Por outro lado, quando olhamos para a política, que é predominantemente masculina e branca, percebemos que também houve algumas mudanças significativas, como o exercício da cidadania. Ao longo dos anos, conseguimos derrubar a inflação e até mesmo afastar presidentes que não cumpriram as leis. Isso mostra que, pelo menos em teoria, ninguém está acima da lei. No entanto, o recente avanço da PEC da Blindagem, que propõe que deputados não possam ser processados criminalmente sem a autorização de suas respectivas casas, é um retrocesso preocupante. Isso significa que, em até 90 dias, a Câmara ou o Senado terá que decidir se um processo criminal contra um parlamentar pode ou não prosseguir. Isso pode acabar se transformando em uma anistia para aqueles que tentaram agir contra a República.

A Necessidade de Reflexão

É crucial que compreendamos o nosso país através da perspectiva de instituições que, há 35 anos, lutam por mais igualdade e justiça. Quando olhamos para a situação atual, é fácil sentir que estamos avançando, mas, na verdade, muitas vezes estamos apenas mantendo o status quo ou até retrocedendo. Uma coisa é certa: a jornada das últimas décadas, com seus poucos avanços, só foi possível graças a um conceito que precisamos proteger e valorizar a cada dia: a democracia.

Conclusão

Precisamos continuar a luta pela igualdade racial e pela justiça em nosso país. A história do CEERT é um testemunho de que, apesar dos desafios, a mudança é possível e necessária. É importante que cada um de nós faça sua parte, não apenas em apoio a causas que promovem a igualdade, mas também na defesa dos valores democráticos que sustentam a nossa sociedade.

Portanto, convido você a refletir sobre o que você pode fazer para contribuir com essa luta. Comente suas ideias, compartilhe este texto e vamos juntos buscar um Brasil mais justo e igualitário.



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