Nos últimos dias, o nome de Jair Bolsonaro voltou a estampar as manchetes, mas dessa vez não foi por causa de política, polêmica ou declarações polêmicas em redes sociais. O ex-presidente recebeu um diagnóstico de câncer de pele, mais especificamente um carcinoma de células escamosas in situ, que é considerado um estágio inicial da doença. A notícia mobilizou seus apoiadores, que se reuniram em igrejas, grupos de WhatsApp e até em frente a hospitais em orações pela recuperação dele.
Mas afinal, o que significa esse tal “in situ”? No mundo médico, esse termo é usado pra indicar que o câncer ainda está “no lugar”, ou seja, não avançou para camadas mais profundas da pele e nem se espalhou para outras regiões do corpo. Em outras palavras, é uma versão bem mais controlada da doença, com boas chances de cura quando tratada de maneira adequada e rápida.
O diagnóstico veio depois que Bolsonaro passou por um procedimento no último domingo, quando os médicos retiraram oito lesões do tronco e do braço direito. Segundo informações divulgadas, essas manchas ou feridas que não cicatrizavam chamaram atenção. E esse é justamente o alerta: muitos desses carcinomas aparecem como uma lesão vermelha ou amarronzada, descamando, e que pode até ser confundida com psoríase ou uma dermatite comum. É aquele tipo de machucado que insiste em ficar ali, mesmo depois de semanas.
Pra quem acompanha saúde pública, não é novidade que a principal causa desse tipo de câncer é a exposição ao sol. E convenhamos: Bolsonaro, ao longo de sua vida, sempre foi visto em atividades ao ar livre, pescarias e caminhadas, sem falar das campanhas em que passava horas em carro aberto, tomando sol de rachar. Esse acúmulo de exposição aos raios UV ao longo de décadas costuma cobrar a conta.
O tratamento, no caso dele, tende a ser simples. A cirurgia de retirada, que já foi realizada para a biópsia, costuma ser a forma mais eficaz. Em alguns pacientes, dependendo do caso, os médicos também indicam tratamentos alternativos, como cremes de quimioterapia tópica, criocirurgia (que congela a lesão) ou eletrocautério, todos com taxas de sucesso bem altas. O que tranquiliza bastante os apoiadores é que, segundo o médico responsável, Cláudio Birolini, as lesões encontradas são “precoces” e, por enquanto, só exigem acompanhamento periódico.
É interessante notar como a saúde de ex-presidentes sempre vira notícia de impacto. Nos últimos anos, vimos Lula enfrentando problemas de garganta, Dilma falando sobre cirurgias, e agora Bolsonaro com o câncer de pele. A diferença é que, num país tão polarizado como o Brasil de 2025, cada detalhe vira munição de debate político. Já circulam nas redes teorias, memes e até discussões sobre se isso pode afetar ou não o futuro dele nas eleições municipais e, quem sabe, até na corrida de 2026.
Os médicos, no entanto, são categóricos: o caso é sério, mas não é desesperador. O carcinoma “in situ” tem um índice de cura elevado quando tratado cedo, e, no caso do ex-presidente, os sinais apontam justamente para esse cenário. A recomendação que fica não é só para Bolsonaro, mas para todos: cuidar da pele não é vaidade, é prevenção. Protetor solar diário, evitar sol do meio-dia e estar atento a qualquer mancha estranha são medidas simples que podem salvar vidas.
Por ora, Bolsonaro deve seguir em observação, aguardando os resultados finais da análise patológica para confirmar se todas as lesões foram resolvidas. Enquanto isso, seus apoiadores seguem firmes na fé, e seus opositores, claro, aproveitam o momento para cutucar com ironias. A verdade é que, gostando ou não dele, a notícia serve de alerta pra todos nós: o câncer de pele é mais comum do que se imagina e não escolhe cor partidária.