Na edição desta terça-feira, 16 de setembro, o Jornal Nacional trouxe uma daquelas notícias que a gente preferia não ouvir. William Bonner, ao lado de Ana Paula Araújo — que temporariamente deixou o Bom Dia Brasil para cobrir as férias de Renata Vasconcellos —, abriu o programa com um comunicado que deixou os fãs de cinema de todo o mundo entristecidos.
Ana Paula, com aquele tom sério que o momento exigia, anunciou ao vivo: “Morreu, aos 89 anos, o ator e cineasta americano Robert Redford.” A frase, simples mas impactante, resumiu a perda de um dos maiores nomes do cinema. Redford não foi apenas um galã de Hollywood, ele foi um artista completo: ator, diretor, produtor e também uma espécie de guardião do cinema independente.
Um ícone das telonas
Robert Redford marcou presença em dezenas de produções inesquecíveis. Um de seus primeiros grandes sucessos foi Descalços no Parque, contracenando com Jane Fonda, que até hoje é lembrado como um clássico da comédia romântica. Mas foram os encontros com Paul Newman que entraram para a história: Butch Cassidy (1969) e Golpe de Mestre (1973) formaram uma das duplas mais icônicas do cinema. Inclusive, este último lhe rendeu indicação ao Oscar de Melhor Ator.
Na época, Redford já não era apenas um rosto bonito estampado nos cartazes, era alguém que conseguia transmitir emoções complexas. Não à toa, virou referência para toda uma geração de atores que vieram depois.
Sundance e o cinema alternativo
Nos anos 1980, cansado de ver Hollywood repetir as mesmas fórmulas de sucesso, Redford decidiu apostar em algo diferente. Criou o Instituto Sundance, que deu origem ao famoso Festival de Cinema de Sundance. Foi dali que surgiram nomes e obras que mais tarde mudariam o rumo da sétima arte. O festival, que começou pequeno, se tornou um dos mais importantes do mundo para quem queria fugir do esquema engessado dos grandes estúdios.
É curioso notar como, décadas depois, o streaming e as produções independentes ganharam um peso enorme. De certa forma, Redford já estava antecipando esse movimento.

Oscar e papéis marcantes
Em 1981, Redford venceu o Oscar de Melhor Diretor pelo filme Gente como a Gente, um drama familiar que emocionou plateias e mostrou seu talento por trás das câmeras. Mas ele nunca abandonou os papéis fortes como ator. Entre eles, talvez um dos mais lembrados seja o de Bob Woodward em Todos os Homens do Presidente (1976), que retratou a investigação do escândalo Watergate — um tema que, convenhamos, continua bem atual quando pensamos nos bastidores da política.
Mais que um artista
Robert Redford não se limitou ao cinema. Ao longo da vida, levantou bandeiras importantes, principalmente ligadas à defesa do meio ambiente. Engajado em causas sociais e democráticas, ele se tornou uma voz respeitada fora das telas. Era comum vê-lo em debates sobre sustentabilidade muito antes desse assunto virar tendência global.
A notícia de sua morte ganhou repercussão mundial, não apenas entre atores e cineastas, mas também entre ativistas e admiradores de sua trajetória multifacetada.
O adeus
Redford faleceu em casa, aos 89 anos, cercado pela natureza do Oeste americano — o mesmo cenário que tantas vezes serviu de refúgio e inspiração. Um fim que, de certa forma, combina com quem sempre buscou equilíbrio entre arte, vida pessoal e compromisso com causas maiores.
O cinema perde um gigante, mas sua obra continua viva. Filmes como Golpe de Mestre ou iniciativas como o Sundance permanecem aí para provar que o legado dele não cabe apenas em palavras.
Em tempos em que muito se discute sobre originalidade, autenticidade e até inteligência artificial tomando espaço da criação humana, a história de Robert Redford serve como lembrete: algumas contribuições são simplesmente insubstituíveis.